
A nova fase da Operação Compliance Zero, que colocou o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), no centro de uma investigação da Polícia Federal, pegou o Palácio do Planalto de surpresa e criou um problema político inesperado para o Partido dos Trabalhadores.
Até então, aliados do governo vinham tentando associar o caso Banco Master principalmente a personagens do campo bolsonarista e à oposição. A estratégia, porém, ficou mais difícil de sustentar após a PF apontar Wagner como o suposto beneficiário central de vantagens econômicas indevidas relacionadas à última fase da operação Compliance Zero.
Nas primeiras horas após a ação policial, o PT evitou uma reação mais contundente e não conseguiu construir uma narrativa unificada sobre o episódio. O alvo da investigação é um dos políticos mais próximos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e um dos principais responsáveis pela articulação do governo no Congresso.
Segundo os documentos da PF, Wagner teria sido o agente público em favor de quem foram estruturados benefícios patrimoniais e financeiros, incluindo a aquisição de um apartamento de luxo em Salvador, um repasse de R$ 2,5 milhões a uma empresa ligada ao seu núcleo familiar e outras vantagens, como estadias e uso de aeronaves particulares.