Como políticos brasileiros conseguiram enriquecer da noite para o dia?



O candidato ao Senado, empresário Acir Gurgacz, acaba de dar o tom de como será a campanha eleitoral deste ano para o governo de Rondônia (e demais cargos eletivos), ao apontar o dedo na direção de pessoas que, segundo ele, entraram na política com uma mão na frente e outra atrás e, como que num passe de mágica, saíram de uma situação de escassez para megaempresários, tornando-se donos de verdadeiros impérios. E como elas conseguiram ganhar tanto dinheiro e acumular tanta riqueza de forma extremamente rápida? Ele pergunta e, ao mesmo tempo, responde: “Não há explicação”. É o que revela a coluna do jornalista Sérgio Pires.

A percepção do senhor Acir reflete o pensamento da maioria da população, aqui e alhures. O enriquecimento rápido e desproporcional de políticos brasileiros é um fenômeno frequente associado a um conjunto de fatores, como poder de influência, desvio de verbas públicas e ausência de fiscalização efetiva por parte de órgãos criados para essa finalidade.

Considero o exercício da política o mais nobre das atividades humanas. Isso porque, diferente de todas as outras, não se constitui numa profissão. O desempenho de um mandato deveria ser uma interrupção passageira na vida de uma pessoa, durante a qual ela se dedicaria integralmente à causa pública. Por seu caráter especial, essa tarefa deveria ser exercida com um elevado sentido de missão, a cargo daqueles efetivamente vocacionados e preparados para cumpri-la, porém, o que se tem visto é exatamente o contrário, com muita gente acumulando fortunas sem nunca ter dado um prego numa barra de sabão, enquanto a maioria do povo vegeta na mais abjeta inanição.

Ética e política precisam caminhar juntas. Infelizmente, a perversidade humana transformou uma e outra em categorias antagônicas. E o pior é que isso ocorre com o silêncio e a cumplicidade de parcela expressiva da sociedade, principalmente daqueles que são as maiores vítimas dessa anomalia. A maioria dos políticos brasileiros não passa de caricaturas grotescas, uma deformação repulsiva daquilo que deveria realmente ser, ou seja, uma pessoa dedicada a promover o bem comum. Como consequência dessa deformação, assistimos, indignados, a um cipoal de casos de corrupção envolvendo o desvio de recursos públicos.

Valdemir Caldas 



Notícias no WhatsApp
Receba as notícias de Porto Velho e Rondônia no seu celular.
Entrar no grupo

Noticias da Semana

Veja +