O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (28/8) que a corporação atua com autonomia e sem interferências, guiada pela Constituição Federal e pelas leis.
A declaração chega em meio a divergências entre a PF e o gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a condução do caso das fraudes no INSS. Nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poupou a PF de críticas, atacando vazamentos de investigações sobre seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Ao falar aos novos policiais, o chefe da PF ainda destacou: “Nunca se esqueçam de que atuação técnica, imparcial, livre de qualquer viés político, é o que nos permite defender nossa instituição de qualquer ataque, não importa de onde venha”.
Polêmica
A Polícia Federal entrou no radar em meio à campanha eleitoral após divergências com o gabinete do ministro do STF André Mendonça sobre a condução das apurações relacionadas ao chamado “caso INSS”.
Como revelou o Metrópoles, na coluna Andreza Matais, o ministro determinou que a PF encaminhasse ao STF os documentos brutos das apurações e estabeleceu que eventuais mudanças na equipe responsável pelo caso deveriam ser previamente autorizadas por ele.
Diante das medidas, a PF acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para tentar revertê-las. Andrei Rodrigues respondeu publicamente às restrições e afirmou que não interfere no trabalho dos delegados subordinados.
A tensão aumentou após a PF solicitar novas frentes de apuração contra Lulinha por suspeitas de corrupção e tráfico de influência em contratos da Dataprev e do Ministério da Saúde.
Segundo a corporação, o gabinete de Mendonça, relator do caso no STF, tem solicitado esclarecimentos sobre a condução e a duração das diligências. A PF sustenta que os procedimentos seguem critérios técnicos e nega irregularidades.
Em 6 de agosto, os 27 superintendentes regionais da instituição divulgaram nota conjunta reafirmando o compromisso com a Constituição, a legalidade e a independência das investigações.
Em meio à crise, Lula também criticou a atuação da PF. O presidente afirmou, em entrevista ao Jornal Nacional na noite dessa quinta-feira (27/8), que a corporação estaria vazando informações da investigação sigilosa envolvendo Lulinha.
“A PF está vazando as coisas para a imprensa”, disse Lula, ao comentar as três apurações que investigam o suposto tráfico de influência do filho para abrir portas do governo a empresários em troca de dinheiro.
Formatura
O evento desta sexta-feira (28/8) marcou a conclusão dos Cursos de Formação Profissional e a nomeação de 683 novos integrantes da Polícia Federal. Além de Andrei Rodrigues, participaram da solenidade o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva; o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin; e o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza.
Os cursos de formação começaram em 18 de maio e tiveram mais de 650 horas de aulas teóricas e práticas.
A nova turma é formada por 195 delegados, 113 peritos criminais federais, 333 escrivães e 42 papiloscopistas.
Os Cursos de Formação Profissional representam a etapa final do processo seletivo para ingresso na Polícia Federal e têm caráter eliminatório. A formação reúne disciplinas teóricas, operacionais e práticas voltadas ao exercício das diferentes funções policiais dentro da instituição.