O músico cubano Degnis Bofill foi detido pelo serviço de imigração dos Estados Unidos, o ICE, e segue há nove dias sob a custódia das autoridades. Ele estava voltando de compromissos profissionais em Nova York quando foi impedido de sair do Aeroporto Internacional de Miami, no sul do país.
Bofill mora em Miami e fez a viagem em 19 de agosto, após participar de uma conferência voltada à música latina alternativa e ter se apresentado no Pocket Jazz Club, em Manhattan.
A esposa do artista, Mara Delgado, concedeu entrevista ao veículo Miami New Times e contou que Bofill entrou no país em 2023 sob a permissão de um visto, mas que seu pedido de asilo ainda está pendente. “Parece que eles descobriram isso, seja porque a companhia aérea compartilhou a informação com o ICE, ou de outra maneira. Eles deixaram que ele me ligasse muito rapidamente. Só lhe disse para não assinar nada”.
Em busca de recursos para custear advogados, Mara abriu uma campanha de arrecadação online na plataforma GoFundMe. Nos últimos seis dias, 678 pessoas se juntaram e doaram 55 981 dólares para a causa. Comovida, ela disse ao jornal local: “Sei que Degnis conhece muita gente em toda parte, mas o apoio foi repentino e incrível. Ele é meu marido e o amo, mas ele é profundamente amado por pessoas de todos os tipos”. Para ela, a prisão também é um duro golpe na cena musical cubana de Miami, efervescente há décadas. Além de Bofill, o músico cubano Andy García também foi detido em agosto.
Desde que foi detido, Bofill já foi transferido de uma cela na cidade de Miramar para o Centro de Processamento de Serviços de Krome North, em Miami. Segundo Mara, as condições de cárcere iniciais eram “atrozes” e “pensadas para quebrar a disposição dos detidos”. Ela não cedeu informações sobre a infraestrutura de Krome North.
Em resposta à comoção, representantes do ICE emitiram um comunicado que confirma e defende a prisão do músico, argumentando que ele desobedeceu as condições impostas por sua entrada no país em 2023. O texto garante que as políticas do governo Trump continuarão a ser cumpridas e aconselha quaisquer possíveis alvos do ICE a deixarem o território por conta própria.
(veja.abril)