Redação, Porto Velho RO, 07 de setembro de 2026 - Uma estrutura pública criada para oferecer atendimento de alta complexidade e salvar vidas está fechada há mais de um ano em Porto Velho. A Hemodinâmica do Hospital de Base Ary Pinheiro, inaugurada em 2017, já atendeu mais de 10 mil pacientes de Rondônia e de outros estados, mas teve os serviços interrompidos em maio de 2025 e permanece sem funcionamento. A situação voltou ao centro do debate após o candidato ao Governo de Rondônia Hildon Chaves cobrar a retomada imediata da unidade.
Segundo as informações divulgadas sobre o caso, a própria direção do Hospital de Base apontou, à época do fechamento, a falta de médicos especializados como motivo para a interrupção dos atendimentos. O setor é de responsabilidade do Governo de Rondônia e, apesar de ter uma estrutura avaliada em R$ 3,7 milhões, continua sem prestar os serviços para os quais foi implantado.
A paralisação ganha dimensão ainda maior diante do histórico da Hemodinâmica. Desde sua inauguração, a unidade realizou procedimentos considerados de alta complexidade, entre eles cateterismos, tratamento de aneurismas e desobstrução de artérias. São intervenções que podem ser decisivas em situações cardiovasculares graves e que, com o fechamento do setor, deixaram de ser oferecidas diretamente naquela estrutura pública.
Na avaliação de Hildon Chaves, a demora para solucionar o problema é injustificável. O candidato afirma que a estrutura permanece inutilizada enquanto pacientes continuam dependendo de atendimento especializado e cobra uma ação imediata do Governo do Estado para restabelecer o serviço.
A crítica também é reforçada pelo médico Luis Maiorquim, ex-secretário-adjunto da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Velho e ex-secretário de Estado da Saúde. Para ele, a reativação da Hemodinâmica permitiria ampliar o acesso da população a tratamentos de alta complexidade e evitaria que uma estrutura pública de milhões de reais permanecesse ociosa.
O episódio coloca em evidência um problema que ultrapassa a disputa política: a existência de uma estrutura especializada, já utilizada por mais de 10 mil pessoas, mas que deixou de atender a população justamente em uma área em que o tempo pode ser determinante para preservar vidas.
Enquanto o setor continua fechado, pacientes que necessitam de procedimentos de alta complexidade precisam buscar alternativas dentro da rede de atendimento. A ausência de uma previsão concreta para a retomada, conforme as informações divulgadas, aumenta a pressão por uma solução.
A Hemodinâmica representa, portanto, um investimento público que permanece sem utilização plena. O desafio agora é transformar a cobrança em uma resposta efetiva: garantir profissionais especializados, restabelecer os procedimentos e devolver à população um serviço que, durante anos, foi responsável pelo atendimento de milhares de pacientes.
O caso também expõe uma contradição difícil de ignorar: um setor público que custou milhões aos cofres públicos e que já cuidou de mais de 10 mil pessoas permanece parado há mais de um ano, enquanto a população continua esperando pela retomada de um serviço essencial.
Fonte: noticiastudoaqui.com