
Mais de dez anos após a morte de dois jovens em meio a um conflito agrário em Cujubim, Rondônia, o caso voltou a ganhar destaque no Judiciário após a suspensão do Tribunal do Júri e a decretação da prisão preventiva de quatro acusados. Entre eles está Sérgio Sussumu Suganuma, conhecido como “Serginho Paredão” ou “Sérgio Japonês”, presidente da Associação Rural de Ji-Paraná, que atualmente é considerado foragido.
As prisões foram determinadas pela Justiça após a sessão do Tribunal do Júri, realizada em Ariquemes, ser interrompida no dia 14 de setembro. Os advogados dos acusados deixaram o plenário alegando questões relacionadas ao acesso a parte das provas do processo. A magistrada rejeitou os pedidos apresentados pelas defesas e, diante do abandono da sessão, determinou a dissolução do Conselho de Sentença.
O processo envolve as mortes de Alysson Henrique de Sá Lopes, de 23 anos, e Ruan Lucas Hildebrandt de Aguiar, de 18 anos, ocorridas durante acontecimentos registrados na Fazenda Tucumã, na zona rural de Cujubim, entre o fim de janeiro e o início de fevereiro de 2016. Alysson foi encontrado morto e carbonizado dentro de um veículo, enquanto Ruan desapareceu e teve posteriormente a morte declarada judicialmente, embora seu corpo nunca tenha sido localizado.
Além das duas mortes, o processo também apura tentativas de homicídio contra outros integrantes do Acampamento Terra Nossa. Segundo as acusações apresentadas pelo Ministério Público, o episódio ocorreu em um contexto de disputa por terras e envolveu a atuação de um grupo de segurança clandestina supostamente contratado para proteger a propriedade rural. Essas são acusações constantes do processo e ainda dependem de julgamento definitivo.
Sérgio Sussumu Suganuma, Rivaldo de Souza, Moisés Ferreira de Souza e Jonas Augusto dos Santos Silva tiveram a prisão preventiva decretada. De acordo com informações divulgadas sobre a decisão, o Ministério Público argumentou que a medida seria necessária para garantir a aplicação da lei e preservar a instrução criminal até que um novo julgamento seja realizado.
O caso se arrasta há mais de uma década. Um julgamento anterior chegou a resultar em condenações, mas a decisão posteriormente foi anulada, fazendo com que o processo retornasse à fase de novo julgamento. A nova sessão, portanto, representava uma tentativa de levar novamente os acusados ao Tribunal do Júri, mas acabou interrompida antes da conclusão.
Com a suspensão, uma nova data para o Tribunal do Júri deverá ser definida pela Justiça. Os acusados deverão constituir novos defensores, caso necessário, ou poderão ter a defesa assegurada pela Defensoria Pública ou por advogados nomeados pelo Judiciário. O processo envolvendo o fazendeiro apontado como proprietário da área foi separado dos demais, em razão de questões relacionadas à sua condição de saúde.
A situação de Sérgio Sussumu Suganuma ganhou destaque porque, apesar da prisão preventiva decretada, ele não foi localizado pelas autoridades e passou à condição de foragido da Justiça. A prisão dos quatro acusados não representa condenação definitiva: eles continuam respondendo ao processo e deverão ser submetidos ao julgamento pelo Tribunal do Júri.
O episódio mantém em evidência um dos processos relacionados à violência em conflitos pela posse da terra em Rondônia e coloca novamente no centro das atenções a demora para a conclusão judicial de crimes ocorridos no campo. Para as famílias das vítimas, a definição da responsabilidade criminal ainda depende da realização de um novo julgamento e da decisão dos jurados.
Fonte: noticiastudoaqui.com