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O socialista Pedro Castillo segue mantendo uma ligeira vantagem sobre a conservadora Keiko Fujimori nas eleições presidenciais no Peru. O ONPE (Escritório Nacional de Processos Eleitorais) já processou 100% das urnas, mas apenas 99,58% das atas já foram contabilizados.
O órgão que apura as eleições no país andino dá conta de que Castillo possui 50,17% dos votos válidos (8.818.830), enquanto Keiko tem 49,83% (8.759.077), segundo atualização realizada às 15h25 (horário de Brasília) de hoje. A diferença é de, portanto, apenas 59.753 votos.
360 atas eleitorais de um universo de 86.488 foram encaminhadas ao JNE (Júri Nacional de Eleições) para observação por conterem votos contestados, dados incompletos, ilegibilidades etc, fato este que tem travado o anúncio do próximo presidente do país sul-americano.
No último domingo (6), quando a contagem dos votos começou no Peru, Keiko apareceu liderando a disputa, mas foi superada por Castillo conforme a apuração foi chegando nas áreas rurais do país, onde o socialista é mais forte politicamente.
Keiko começou a diminuir lentamente a vantagem conforme os votos de peruanos no estrangeiro começaram a ser revelados, mas a possibilidade da líder conservadora de conseguir reverter o resultado contra Castillo é mínima.
O novo presidente peruano tomará posse em 28 de julho e comandará um país em crise, que teve quatro chefes de Estado desde 2018 e que registra a maior taxa de mortalidade do mundo pela pandemia, com mais de 185 mil mortes em uma população de 33 milhões de habitantes.
Protesto por supostas fraudes
Na última quarta-feira (9), Keiko entrou com uma ação judicial solicitando a anulação de 200 mil votos na disputa contra Castillo. A candidata conservadora tem falado em supostas "irregularidades" e "indícios de fraude" no pleito.
As acusações de fraudes sistemáticas tem sido, por enquanto, rechaçadas pelas autoridades eleitorais peruanas e por observadores internacionais, que apenas apontam incidentes isolados envolvendo eleitores.
Mais cedo, no mesmo dia, Castillo, mesmo sem a confirmação da Justiça Eleitoral, já se apresentou como vencedor das eleições e passou a ser cumprimentado por líderes da esquerda latino-americana, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), porém, foi na contramão, lamentando a provável vitória de Castillo no Peru. "Perdemos agora o Peru. Voltou (a esquerda), pelo que tudo indica. Falta 1% de apuração lá, só um milagre para reverter", afirmou também na última quarta-feira.
Quem é Keiko Fujimori
Caso consiga reverter a balança eleitoral, Keiko, que é filha do ex-presidente de extrema-direita Alberto Fujimori, que governou o Peru durante a década de 1990, poderá se tornar a primeira mulher a se tornar presidente do Peru.
A política peruana é acusada de participar de um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a empreiteira Odebrecht para financiar campanhas em 2011 e 2016, quando perdeu a Presidência para Ollanta Humala e Pedro Pablo Kuczynski, respectivamente.
Ontem, um procurador integrante da força-tarefa da Lava Jato do Peru pediu a prisão preventiva de Keiko sob o argumento de que a conservadora não está cumprindo com a liberdade condicional que a Justiça lhe concedeu.
A partir de outubro de 2018, Keiko ficou presa preventivamente por 13 meses pelo caso envolvendo a empreiteira brasileira. Em novembro de 2019, a política peruana foi posta em liberdade depois que a Justiça lhe concedeu um habeas corpus.
Apoiada pela popularidade do pai, que foi condenado, em 2009, a 25 anos de prisão por corrupção e crimes contra a humanidade cometidos durante a década de 1990, Keiko já prometeu que, se ganhar, vai perdoar o ex-presidente.
Quem é Pedro Castillo
Castillo saiu do anonimato há quatro anos, após liderar uma greve nacional de professores. Nas eleições deste ano, a promessa do socialista é a de "não haver mais pobres em um país rico.
O professor socialista nasceu em Puña, povoado localizado no distrito de Chota, na região norte de Cajamarca, onde viveu e trabalhou como professor em uma escola rural durante 24 anos.
Católico e casado com uma evangélica, Castillo tem opiniões conservadores sobre temas como o direito ao aborto e ao casamento homossexual enquanto mantém um viés socialista sobre temas econômicos.
Durante a campanha, Castillo sempre aparecia ostentando um chapéu branco típico de Cajamarca na cabeça, percorrendo regiões do Peru montado em um cavalo.
Se eleito, Castillo e o partido do qual é filiado, o Peru Livre, planejam trabalhar por uma Assembleia Constituinte para redigir uma nova Constituição para o Peru em até seis meses — a atual é datada de 1993, um legado da era de Alberto Fujimori.
(Uol)
