
A guerra de Israel e EUA contra o Irã está se espalhando pelo Oriente Médio após o assassinato do Líder Supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, por ataques israelenses e americanos contra a liderança e as forças armadas do país, iniciados no sábado (28/2).
Nesta quarta-feira (4/3), o conflito entrou no seu quinto dia, com desdobramentos em diversos países da região.
Confira abaixo o que aconteceu na região até agora.
Quais são os acontecimentos mais recentes?
A mídia estatal iraniana informou que o funeral de Estado do Líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, foi adiado.
O funeral, que duraria três dias, estava previsto para começar nesta quarta-feira (4/3). Imagens nas redes sociais mostravam os preparativos para a realização do evento.
No entanto, organizadores afirmaram que a cerimônia será adiada até que a infraestrutura esteja pronta. Nenhuma nova data para a cerimônia foi anunciada.
Khamenei foi morto quando os ataques israelenses e americanos começaram no sábado.
O jornal The New York Times reportou, citando autoridades iranianas, que o filho de Khamenei, Mojtaba Khamenei, surge como o principal candidato a se tornar o novo líder supremo – com a decisão podendo ser tomada já nesta quarta.
Mojtaba Khamenei teria sobrevivido a ataques no Irã nesta quarta, segundo duas fontes iranianas que falaram à agência de notícias Reuters.
O Ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, anunciou que qualquer sucessor que continue "o plano de destruir Israel, ameaçar os EUA" e "oprimir o povo iraniano" será "um alvo inequívoco para eliminação".
Uma grande explosão foi relatada no leste de Teerã nesta quarta-feira (4/3), de acordo com a mídia estatal iraniana e um repórter da agência de notícias AFP na cidade. As Forças de Defesa de Israel (IDF) anunciaram que sua força aérea iniciou "ataques em larga escala" contra alvos do regime na capital do Irã.
No Líbano, as IDF emitiram um alerta urgente para que civis em partes do sul de Beirute evacuem a área, devido aos ataques contínuos a edifícios que, segundo elas, são ligados ao Hezbollah.
Segundo grupo Human Rights Activists, mais de mil civis foram mortos no Irã.
Navio do Irã afundado no Oceano Índico
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse que um submarino dos EUA afundou "um navio de guerra iraniano que pensava estar seguro em águas internacionais", no Oceano Índico.
"Em vez disso, foi afundado por um torpedo", diz ele.
Hegseth não revelou o nome do navio iraniano atacado. Horas antes, a Marinha do Sri Lanka havia informado que o IRIS Dena afundou no Oceano Índico, com cerca de 140 pessoas a bordo desaparecidas.
A Marinha do Sri Lanka confirmou que encontrou 80 corpos e resgatou 32 pessoas após receber um pedido de socorro do navio iraniano "IRIS Dena" na manhã de quarta.
Um vídeo divulgado pelos EUA mostra o momento exato em que o torpedo americano atinge a embarcação.
Budhika Sampath, porta-voz da Marinha do Sri Lanka, afirmou: "Embora estivesse fora de nossas águas territoriais, estava dentro da nossa área de busca e salvamento. Portanto, fomos obrigados a responder, conforme as obrigações internacionais."
Ele acrescentou: "Encontramos pessoas flutuando na água, as resgatamos e, posteriormente, ao investigarmos, descobrimos que eram tripulantes de um navio iraniano."

Mercados desabam na Ásia
Os mercados de ações da Coreia do Sul e da Tailândia suspenderam temporariamente a negociação de seus índices após eles despencarem mais de 8% — acionando os mecanismos de interrupção automática que visam evitar vendas em pânico ("circuit breaker").
Após a retomada, o índice Kospi da Coreia do Sul fechou em queda de 12%. O Nikkei 225 do Japão recuou 3,6%. O índice Hang Seng de Hong Kong caiu 2,5%.
Na Europa, o mercado de ações do Reino Unido abriu em leve alta na quarta-feira, apesar da contínua volatilidade dos preços da energia devido aos temores de que a guerra entre EUA e Israel contra o Irã possa se prolongar.
Em Londres, o índice FTSE 100 subiu ligeiramente, acompanhando o desempenho positivo na Alemanha e na França, em contraste com as ações asiáticas, que caíram pelo terceiro dia consecutivo.
O petróleo Brent subiu 2,5%, para US$ 83,96 o barril. O preço já subiu 15% desde que Israel e os EUA começaram a bombardear o Irã no sábado e Teerã respondeu atacando países árabes vizinhos.
Os preços do petróleo e do gás dispararam esta semana após ataques a embarcações próximas à crucial rota marítima do Estreito de Ormuz. Cerca de um quinto do petróleo e do gás do mundo normalmente flui por essa estreita passagem entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos (EAU).
Muitos mercados de ações asiáticos foram fortemente afetados, visto que a região importa grandes quantidades de energia do Oriente Médio, que precisa passar pelo Estreito de Ormuz.
Lindsay James, estrategista de investimentos da empresa de gestão patrimonial Quilter, disse à BBC que os investidores estão considerando "uma probabilidade crescente de que este conflito demore mais para ser resolvido".

Escolta de petroleiros no Estreito de Ormuz
Na terça-feira, em publicação nas mídias sociais, Trump afirmou que a Marinha dos EUA começará a escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz, "se necessário".
A guerra entre os EUA e Israel com o Irã praticamente paralisou o tráfego marítimo que passa pela passagem, entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã.
Na segunda-feira, o Irã anunciou o fechamento do estreito e ameaçou incendiar navios que passasem por lá.
O Estreito de Ormuz é uma das rotas mais importantes do mundo para o fornecimento global de petróleo e gás, com quase 20 milhões de barris de petróleo passando por ela diariamente.
A empresa de inteligência marítima Kpler informou à BBC que a movimentação de embarcações pelo estreito caiu cerca de 90% entre 2 e 3 de março, em comparação com a média de 21 a 27 de fevereiro.
A queda acentuada ocorre em um momento em que as principais seguradoras marítimas reduziram ou cancelaram a cobertura contra riscos de guerra para navios que operam no Golfo, tornando a passagem pelo estreito – que transporta aproximadamente um quinto do petróleo comercializado no mundo – significativamente mais perigosa.
Nas últimas 24 horas, a BBC identificou pelo menos dois navios de carga cujos dados de rastreamento indicam que navegaram de leste para oeste pelo Estreito de Ormuz em direção ao Golfo. Recentemente, o sinal dos rastreadores de bordo de vários navios — incluindo um com bandeira indiana — desapareceu ou apresentou indícios de interferência.
Por que os EUA e Israel atacaram o Irã?
Trump afirmou que o objetivo da operação é "garantir que o Irã não obtenha uma arma nuclear".
"Vamos destruir seus mísseis e arrasar sua indústria de mísseis. Ela será totalmente destruída novamente", disse Trump em um vídeo de oito minutos publicado no Truth Social na manhã de sábado (28/2).
O presidente americano também alertou as forças armadas iranianas para que deponham suas armas em troca de "imunidade completa" ou "enfrentem morte certa".
Em seguida, ele incitou o povo iraniano a se preparar para derrubar o regime: "Quando terminarmos, tomem o poder. Será de vocês. Esta será provavelmente a única chance de vocês por gerações."
A enorme operação militar — que os EUA apelidaram de Operação Fúria Épica — ocorre após semanas de ameaças de Trump de que ordenaria uma ação militar se o Irã não concordasse com um novo acordo sobre seu programa nuclear.
O Irã afirmou repetidamente que suas atividades nucleares são inteiramente pacíficas.
O Comando Central das Forças Armadas dos EUA disse que tinha como objetivo "desmantelar o aparato de segurança do regime iraniano, priorizando locais que representassem uma ameaça iminente". O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que Israel e os EUA lançaram a "operação para eliminar a ameaça existencial representada pelo regime terrorista no Irã".

Os Estados Unidos e seus aliados árabes emitiram uma declaração conjunta condenando os ataques do Irã contra os países do Golfo, afirmando que "atacar civis e países que não estão envolvidos em hostilidades é um comportamento imprudente e desestabilizador".
Na segunda-feira, três jatos americanos foram abatidos sobre o Kuwait, em um incidente que, segundo os militares dos EUA, parece ter sido fogo amigo. Os pilotos sobreviveram.
Durante o fim de semana, os militares dos EUA confirmaram a morte de três soldados e o ferimento de outros cinco. A CBS News, parceira da BBC nos EUA, informou que as mortes ocorreram durante operações lançadas do Kuwait.
Os militares dos EUA confirmaram uma quarta morte na segunda-feira, sem fornecer mais detalhes.
Uma nova frente no conflito se abriu na segunda-feira, quando o Hezbollah atacou Israel, levando as Forças de Defesa de Israel (IDF) a atacar alvos na capital Beirute e no sul do Líbano.
O grupo armado é aliado ao governo iraniano e afirmou que buscava vingar o assassinato de Khamenei.
Autoridades libanesas afirmam que dezenas de pessoas foram mortas ou feridas nos ataques até o momento, enquanto Israel pediu que os moradores de 50 aldeias evacuassem o país em antecipação a novas operações que podem durar "vários dias".
Como deve ser escolhido o sucessor de Khamenei?

A escolha formal de um novo Líder Supremo não ocorre por votação direta, mas sim por um órgão composto por 88 clérigos de alto escalão, conhecido como Assembleia de Peritos.
Eles são eleitos por votação direta a cada oito anos.
De acordo com a Constituição iraniana, esses clérigos devem escolher o novo Líder Supremo o mais rápido possível, mas isso pode se mostrar difícil por razões de segurança enquanto o país estiver sob ataque.

É seguro viajar para a região?
Milhares de voos foram cancelados na região, em uma das interrupções mais profundas nas viagens internacionais desde a pandemia de covid-19.
A Wizz Air suspendeu os voos até 7 de março em Israel, Dubai e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, Amã, na Jordânia, e na Arábia Saudita até terça-feira.
A British Airways cancelou os voos para Tel Aviv e Bahrein até quarta-feira.
Em um comunicado, a Swiss International Air Lines afirmou: "A Swiss e as companhias aéreas do Grupo Lufthansa suspenderão os voos para Tel Aviv, Beirute [no Líbano], Amã, Erbil [no Iraque] e Teerã até 7 de março."
A autoridade de aviação do Kuwait informou que suspendeu todos os voos para o Irã até novo aviso, segundo a mídia estatal.
A Emirates suspendeu temporariamente suas operações que tinham Dubai como origem e destino. Lufthansa, Air India, Virgin Atlantic e Turkish Airlines também anunciaram cancelamentos.
Alguns países da região, incluindo Iraque e Jordânia, também fecharam seu espaço aéreo. Os Emirados Árabes Unidos disseram que fecharam "parcial e temporariamente" seu espaço aéreo como medida de precaução, informou a mídia estatal.
O Itamaraty publicou um comunicado em que não recomenda a viagem para o Irã, Israel, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia, Iraque, Líbano, Palestina e Síria.
(bbc)