Salobo: dez Brumadinhos



O Ibama autorizou nesta semana a Salobo Metais, subsidiária da Vale, a altear novamente a barragem do Mirim, no sul do Pará. Com essa autorização, a empresa irá aumentar também a produção de concentrado de cobre da sua fábrica em Canaã dos Carajás, a maior do país, que produz atualmente 200 mil toneladas por ano, receberá mais 100 mil toneladas. 

Para isso, terá que incrementar a extração de minério bruto, de 24 milhões para 36 milhões de toneladas de minério por ano. A expansão acrescentará 1,1 bilhão de dólares aos US$ 4,2 bilhões que já aplicou no empreendimento, num total de US$ 5,3 bilhões (mais de 20 bilhões de reais)

A barragem do Mirim foi construída entre 2009 e 2010, com o objetivo de com a conter os rejeitos provenientes da usina de concentração de minério de cobre e servir como fonte de captação de água bruta para a operação da fábrica. Esse reservatório ocupa uma grande área, de quase 350 hectares (ou 3,5 quilômetros quadrados), com capacidade para armazenar mais de 70 milhões de metros cúbicos de rejeitos – mais de 10 vezes o volume da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais. A autorização original, de 2006, previa 5,7 milhões de metros cúbicos.

A barragem tem mais de 70 metros de altura. Ela fica no interior da Floresta Nacional do Tapirapé Aquiri e de outras unidades de conservação, com áreas contínuas, com 1,3 milhão de hectares, localizadas na província mineral de Carajás. Os índios xikrin do Cateté, que têm a sua reserva a pouco mais de 20 quilômetros de distância, foram à justiça para tentar suspender as atividades de mineração. Por duas vezes a justiça federal rejeitou a pretensão.

LÚCIO FLÁVIO PINTO
Belém (PA)
Foto Divulgação/Portal Canaã

 


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