Glenn Greenwald critica censura de Moraes a Monark: “Chocante”



Para jornalista, o Brasil é um lembrete da "facilidade com que o autoritarismo pode surgir"

 

O jornalista Glenn Greenwald descreveu como “chocantes” as determinações do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contra o youtuber Monark. O comunicador afirma que trata-se de censura e adverte que o autoritarismo está se instalando no Brasil sem encontrar resistência.

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– A vida de Monark foi completamente destruída, em menos de dois anos. Monark está totalmente removido da internet e não tem mais como ganhar a vida. Negaram a ele um meio de subsistência e o direito de falar. Ainda sim, não há acusação contra Monark. Esses pedidos são emitidos sem o devido processo legal – destacou Glenn, por meio do programa System Update, na última quinta-feira (3).

O jornalista comparou a situação de Monark com o universo distópico criado pelo escritor alemão Franz Kafka em seu livro, O Processo, e afirma que Moraes está fazendo o mesmo com outros brasileiros.

– Monark não tem ideia do que está sendo acusado. É kafkaniano, na melhor das hipóteses. E esse juiz faz isso rotineiramente, banindo pessoas da internet. (…) Ele não pode entrar em contato com advogados para ser aconselhado nas acusações, ou contestá-las ou fazer qualquer coisa. Sua vida foi desmantelada, ele foi silenciado e agora está multado – enumerou Glenn.

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Para o cofundador do The Intercept, esse é um “lembrete” de que o autoritarismo pode surgir com grande facilidade.

– É chocante. O Brasil é o país onde eu moro há 18 anos. Ele tem muitas falhas políticas, sociais, e diversas outras, como todo país. Mas basicamente sempre foi uma democracia. E esse é um lembrete vívido da facilidade com que o autoritarismo pode surgir. Eu sei que a maioria das pessoas foi adestrada para acreditar que o autoritarismo não acontece em seu país. Especialmente quando isso está sendo feito em nome de uma causa que eles realmente acreditam ser justa. Como deter Trump ou Bolsonaro e seu movimento. Eles estão convencidos de que estão lutando contra o nazismo – observou.

Glenn ainda citou indiretamente o deputado federal André Janones (Avante-MG) e apontou que o projeto dele para tentar criminalizar o movimento político de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é o verdadeiro fascismo.

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– Existe um deputado no Brasil que é um grande influenciador nas redes sociais e é um dos apoiadores mais expressivos do Lula. Ele está defendendo que o bolsonarismo seja tratado como nazismo, criminalizado e banido. Ou seja, metade do país, metade do Brasil, seria forçado a permanecer em silêncio sobre suas opiniões políticas ou seriam transformados em criminosos por expressar seu apoio ao bolsonarismo. Isso é o totalitarismo do fascismo, um autoritarismo do pior tipo – frisou o jornalista norte-americano.

 

(pleno.news)



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