‘Milícia privada’ liderada por Vorcaro ameaçava desafetos vistos como ‘prejudiciais’
Por: Redação | Publicado em: | Categoria: Nacional
Suspeitos usavam estrutura de coerção privada para monitorar e intimidar ilegalmente adversários

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça entendeu que o grupo, chamado de “A Turma”, investigado por fraudes no Banco Master, agia como uma espécie de “milícia privada”, onde os integrantes faziam práticas de violência, coação e ameaça. Os investigados são suspeitos de usar uma estrutura de coerção privada para monitorar e intimidar ilegalmente jornalistas, autoridades e adversários comerciais.
Segundo as investigações, com a ordem de Daniel Vorcaro, dono do Master, o grupo intimidava pessoas vistas como “prejudiciais aos interesses da organização”, e com “vistas à obstrução da justiça”.
Neste último caso, registros apontam que Vorcaro teve acesso prévio a informações relacionadas à realização de diligências investigativas, tendo realizado anotações e comunicações relativas a autoridades e procedimentos associados às investigações em andamento.
Entre as ameaças e crimes de violência praticados estão a tentativa de “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”, obstruir a justiça, neutralizar riscos e adversários, além de influenciar a opinião pública contra agentes do Estado.
Vorcaro também ordena a aliado que investigue empregada que estaria o ameaçando e dispara: “Tem que moer essa vagabunda”.
Nova fase
Nesta quarta-feira (4), a Polícia Federal cumpriu a terceira fase da operação Compliance Zero, que investiga a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.
Entre os alvos, está o dono do Master, Daniel Vorcaro, apontado como líder da organização criminosa. Ele foi preso sob justificativa de garantir a ordem pública e econômica.
Nota Vorcaro
Em nota, o banqueiro afirmou que sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça.
“A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta. Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições”, concluiu.
Núcleos do grupo
As investigações identificaram, ainda, que o esquema era estruturado em quatro núcleos principais de atuação:
- Núcleo financeiro: responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro nacional. Este núcleo envolvia a captação agressiva de recursos por meio de CDBs com rentabilidade acima do mercado, direcionando os valores para operações de alto risco e ativos de baixa liquidez vinculados ao próprio conglomerado.
- Núcleo de corrupção institucional: voltado à cooptação de servidores públicos do Banco Central do Brasil. O objetivo era conseguir consultoria informal, orientações estratégicas e análise prévia de documentos institucionais, influenciando a supervisão bancária em favor do Master.
- Núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro: Utilizava empresas interpostas (como a Varajo Consultoria e a King Participações) para movimentar recursos e formalizar contratos fictícios que justificassem pagamentos ilícitos.
- Núcleo de intimidação e obstrução de justiça: responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades. Este núcleo contava com uma estrutura de vigilância e coerção privada denominada “A Turma”, utilizada para coletar informações sigilosas e praticar atos de intimidação e violência.
(R7)
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