
Redação, Porto Velho RO, 29 de abril de 2026 - Uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região destravou um dos projetos mais aguardados — e controversos — da região Norte. A Corte suspendeu a liminar que havia paralisado as licitações para obras no chamado “trecho do meio” da BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho.
Com a decisão, assinada pela presidente do tribunal, desembargadora Maria do Carmo Cardoso, ficam liberados os pregões eletrônicos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, que somam cerca de R$ 678 milhões em investimentos.
Os recursos serão aplicados em serviços de manutenção e melhorias ao longo de aproximadamente 400 quilômetros da rodovia, entre os km 250 e 656 — considerado o trecho mais crítico e de difícil acesso da estrada.
A suspensão anterior havia sido determinada pela Justiça Federal do Amazonas, após ação civil pública do Observatório do Clima, que apontava riscos ambientais e questionava a ausência de licenciamento adequado para as obras.
Impacto direto para Porto Velho e região

Para Porto Velho e todo o estado de Rondônia, a retomada das licitações representa avanço estratégico. A BR-319 é a única ligação terrestre entre o Amazonas e o restante do país, sendo fundamental para transporte de pessoas, alimentos e insumos.
A decisão do TRF1 considerou que a paralisação poderia causar prejuízos à administração pública e à população, além de afetar áreas como economia, segurança e saúde.
Outro ponto decisivo foi o risco de perda da chamada “janela hidrológica” — período de estiagem essencial para execução das obras na região amazônica. Sem esse intervalo, a realização dos serviços ainda em 2026 poderia ficar comprometida.
Disputa entre desenvolvimento e meio ambiente

A BR-319, com cerca de 885 km de extensão, é historicamente alvo de intensos debates. Enquanto defensores apontam a rodovia como vetor de desenvolvimento e integração regional, críticos alertam para impactos ambientais significativos, incluindo desmatamento e pressão sobre terras indígenas.
A liberação das licitações não encerra a disputa judicial. O Ministério Público Federal e demais partes envolvidas ainda deverão se manifestar no processo, o que mantém o tema sob atenção nacional.
Resumo: A decisão do TRF1 recolocou em andamento um projeto bilionário com impacto direto em Rondônia e na conexão com o Amazonas — reacendendo o debate entre infraestrutura e preservação ambiental na Amazônia.
Fonte: noticiastudoaqui.com