Senado rejeita Messias no STF e impõe derrota histórica a Lula



Em decisão inédita desde a redemocratização, o Senado rejeitou nesta 4ª feira (29.abr.2026) a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal. Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o AGU recebeu 42 votos contrários e 34 favoráveis. Houve uma abstenção. Eram necessários, pelo menos, 41 votos a favor. Estavam presentes na sessão 79 dos 81 senadores.

Há 132 anos o Senado não rejeitava uma indicação presidencial para o STF. A última vez em que isso se deu foi em 1894, no governo de Floriano Peixoto, nos primeiros anos da República.

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A derrota representa um acachapante revés político para Lula em ano eleitoral e expõe a dificuldade de articulação política do governo no Congresso, até mesmo em uma indicação considerada prioritária pelo Palácio do Planalto. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil – AP), atuou pela rejeição de Messias. Lula poderia indicar outro nome para o cargo, mas não deve fazê-lo tão cedo. É possível que o petista deixe a escolha para depois das eleições.

O AGU foi escolhido para a vaga aberta com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso. Lula anunciou a indicação em 20 de novembro, mas a mensagem oficial só chegou ao Senado em 1º de abril. A sabatina foi realizada 160 dias depois do anúncio e 28 dias depois da formalização

O intervalo superou o de André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro (PL) em julho de 2021 e sabatinado 141 dias depois. Até então, era a maior espera desde a redemocratização. Em levantamento anterior do Poder360, Teori Zavascki aparecia em 2º lugar, com 37 dias entre a indicação feita por Dilma Rousseff (PT), em 2012, e a sabatina. A média era de 22,7 dias.

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A demora foi marcada por articulações no Senado e desgaste político. O ex-presidente da Casa Rodrigo Pacheco (PSB-MG), também cotado para a vaga, era defendido por senadores influentes, entre eles o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A escolha de Messias, em detrimento de Pacheco, que anunciou apoio a Messias nesta 4ª feira (29.abr) abriu uma fissura entre o Planalto e a cúpula do Senado.

O governo tentou reduzir a resistência nas semanas anteriores à sabatina. Messias buscou aproximação com congressistas, fez acenos a Alcolumbre e contou com relatório favorável do senador Weverton Rocha (PDT-MA). A oposição, porém, trabalhou contra a indicação e politizou a votação.

A rejeição também rompe um padrão de mais de 100 anos. Os únicos 5 nomes recusados pelo Senado para o STF haviam sido indicados por Floriano Peixoto, ainda no século 19. Todos foram barrados em 1894, nos primeiros anos da República.

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Foram rejeitados Candido Barata Ribeiro, Inocêncio Galvão de Queiroz, Francisco Raymundo Ewerton Quadros, Antônio Caetano Sève Navarro e Demosthenes da Silveira Lobo. À época, parte das recusas foi associada à falta de formação jurídica dos indicados e ao conflito político entre Floriano e o Senado.

(Poder360)





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