Acordo entre União Europeia e Mercosul pode transformar economia da Amazônia, avalia embaixadora



A embaixadora da União Europeia, Marian Schuegraf, afirma que tratado pode impulsionar bioeconomia e valorizar floresta em pé.

Entrou em vigor, nesta sexta-feira (1º), o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia (UE), considerado um dos mais amplos tratados comerciais negociados pelos dois blocos. Além de ampliar o acesso a mercados, ainda que de forma gradual, o pacto deve impactar diretamente a Amazônia ao incentivar atividades econômicas sustentáveis e aumentar a pressão internacional por preservação ambiental, avalia a embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf.

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O acordo elimina as tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que a UE compra do Mercosul. A redução será gradual, em prazos que vão variar de quatro a 10 anos, a depender do produto.

Em entrevista à Rede Amazônica, a embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf, afirmou que o acordo pode transformar a inserção da Amazônia no comércio internacional, hoje ainda concentrada em poucos produtos.

Segundo ela, o tratado abre caminho para a ampliação de exportações ligadas à sociobiodiversidade, com maior valor agregado, como frutas amazônicas, cacau, pescado e itens da bioeconomia, produtos que encontram demanda crescente no mercado europeu, especialmente por atenderem critérios de sustentabilidade e rastreabilidade.

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  • “O acordo representa uma oportunidade de diversificar e sofisticar a inserção da Amazônia no comércio internacional. Isso inclui desde alimentos diferenciados, como frutas amazônicas, cacau e pescado, até produtos da bioeconomia. O mercado europeu tem forte demanda por bens sustentáveis, rastreáveis e de qualidade, o que cria oportunidades concretas para produtores locais acessarem nichos mais valorizados”, afirmou.

A embaixadora destaca que a redução de barreiras regulatórias deve facilitar o acesso desses produtos à Europa, com impacto direto sobre micro, pequenas e médias empresas, além de cooperativas e produtores locais.

Acordo pode movimentar economia

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O acordo também tende a estimular investimentos na região, especialmente em atividades que agreguem valor à produção. A expectativa é de avanço em áreas como transformação industrial, pesquisa e inovação, reduzindo a dependência da exportação de produtos primários.

Além do impacto econômico, o tratado pode gerar efeitos sociais relevantes. O fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis amplia oportunidades para comunidades tradicionais e mulheres empreendedoras, além de favorecer a inserção internacional de produtos com identidade cultural, como o artesanato.

Para a União Europeia, o acordo tem ainda um papel estratégico na preservação ambiental da Amazônia, ao criar incentivos econômicos para a conservação.

  • “No caso da floresta amazônica, a relevância do acordo é sobretudo estratégica: ele contribui para criar incentivos econômicos que valorizam a conservação. Ao ampliar a demanda por produtos sustentáveis da região, reforça a lógica de que manter a floresta em pé pode ser mais vantajoso do que atividades associadas ao desmatamento. A União Europeia privilegia padrões elevados de sustentabilidade, o que significa que cadeias produtivas que respeitam critérios ambientais e sociais tendem a ser recompensadas”, disse.

(portalamazonia)





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