
A hipocrisia está presente em quase todas as relações humanas, porém, é na política, que ela se mostra com maior desembaraço, principalmente no período eleitoral. E não é preciso ir muito longe para se comprovar o anunciado acima. A história política rondoniense, recente ou não, é rica em exemplos de aliados que, durante a campanha eleitoral, fizeram juras de amor eterno, contudo, uma vez instalados no poder, tornaram-se inimigos. Isso porque as alianças foram baseadas em interesses momentâneos, e não em laços de amizade e respeito.
Esse tipo de conduta, porém, é tão antigo quanto a própria política. Não por acaso, a frase de Maquiavel, segundo o qual “em política, os aliados de hoje são os adversários de amanhã”. Para alguns, o mais importante é ganhar a eleição, não importa as armas usadas na contenda. Quando os objetivos dos dois lados são alcançados, vêm os elogios públicos, abraços demorados, com direito a tapinhas nas costas, e apertos de mão, como manda o figurino oficial, todavia, quando os interesses são contrariados, as tensões são visíveis, indicando que o prazo de validade da aliança já venceu.
As rupturas geralmente ocorrem por brigas internas ou perda de espaço no governo. Às vezes, o subordinado quer mandar mais que titular do cargo e, quando isso acontece, o casamento é desfeito gerando um clima de tensão entre os protagonistas. Valorize os acordos políticos celebrados com base em princípios morais, ideológicos e, principalmente, visando o bem-estar público. Eles, sim, têm prazo de validade de longa duração. Desconfie de alianças políticas construídas sobre os alicerces movediços dos interesses pessoais ou de grupos à mesa de um bar entre um gole e outro de uísque. Elas não duram muito tempo, como se tem visto, aqui e alhures. Afinal, a política não é ambiente para fanfarrões, apesar de estar impregnada deles.