
O advogado, jornalista, radialista e cronista Arimar Sá usou o que sabe fazer de melhor como poucos, ou seja, os meios de comunicação, para reclamar de uma possível perseguição política evidenciada na redução de valores relativos à distribuição de publicidade oficial do governo de Rondônia atingindo o programa Voz do Povo e o portal Rondonotícias, ambos dirigidos por ele. O corte teria ocorrido após o radialista entrevistar um desafeto político do governador Marcos Rocha.
As vantagens da liberdade de imprensa, de tão interessantes, aproveitam os menores pretextos para revelar-se em sua inteireza. Não fosse pela liberdade de imprensa de que desfrutam os organismos de comunicação, a sociedade brasileira ainda lhe teria sonegadas informações que desnudam certas práticas político-administrativas nos dias atuais. Mesmo hoje muitas têm sido as manobras para fazer calar a imprensa. Ainda bem que todas elas têm encontrado o mais vigoroso repúdio da sociedade. De qualquer maneira, é sempre melhor que se possa dizer tudo quanto se pensa, guardada sempre a possibilidade de os que se considerarem prejudicados possam bater as portas do poder judiciário, ao qual cabe decidir sobre a legalidade ou não do dito ou feito.
Recentemente, o deputado estadual Alan Queiroz foi alvo de críticas na internet. Estaria ele envolvido no escândalo do Banco Master? Não! Teria o parlamentar rondoniense participado de pândegas na mansão do dono do Master? Nada disso! Por acaso, o nome de Alan apareceu na lista dos ladrões dos velhinhos do INSS? De jeito nenhum! Mas, então, por que tanto barulho envolvendo seu nome?
O motivo da balbúrdia tem nome, valor e objeto. Trata-se de uma emenda parlamentar, de autoria de Alan, destinando R$ 450 mil ao município de Guajará Mirim para pagar o cachê de uma banda de forró contratada para animar o aniversário da cidade, algo comum nos dias de hoje, porém, como se viu, causou um tremendo rebuliço e debates acirrados sobre as prioridades de governo.
O assunto é complexo e divide opiniões. Por um lado, tem gente que considera importante os eventos musicais, pois contribuem para promover a cultura e o lazer da cidade, além de gerar renda para a economia local, formal e informal; por outro lado, muitos acham que o dinheiro deveria ser usado na melhoria da qualidade dos serviços públicos prestados à população do município, como saúde, educação, segurança pública, saneamento básico, limpeza urbana, entre outros temas, lembrando que a prefeitura de Porto Velho festejou os cem anos da capital com a participação da cantora Joelma, que teria recebido um cachê de R$ 450 mil. Nem por isso o mundo caiu. Pelo contrário, muita gente até gostou da ideia. Imagens correram nas redes sociais mostrando uma multidão prestigiando o evento, apesar de eu ser radicalmente contra esse tipo de iniciativa, observando, ainda, que o dinheiro é público e precisa ser aplicado com transparência, cabendo aos órgãos de fiscalização a tarefa de acompanhar a destinação de cada centavo investido pelo poder público.