
Pedro Soares nos deixou. Foi para o andar de cima. Existem informações de que, à semelhança de colegas da câmara municipal de Porto Velho que não mais estão entre nós, partiu sem receber direitos trabalhistas. Se ele, que estava na ativa, perto de quem tem a caneta na mão, não conseguiu ver a cor do dinheiro, imagine quem já se aposentou. Diante disso, é de perguntar-se: onde está o respeito dos que hoje comandam o legislativo municipal por aqueles que dedicaram a maior parte de suas vidas prestando serviços à instituição e hoje, quando mais precisam, são tratados como lixo?
Recentemente, uma servidora que se aposentou há cinco anos, já em avançada idade e com sérios problemas de saúde, teria ido à câmara municipal exigir o pagamento de atrasados. Como resposta, teria ouvido de um capacho presidencial que a câmara não tinha dinheiro para pagar ninguém e, completando o manual de insolência, teria mandado ela procurar à Justiça se quisesse receber alguma coisa. Em sendo verdade o que dizem, a atitude do lambão poderia configurar assédio moral. A justiça brasileira tem punido instituições e órgãos públicos que expõem servidores idosos a situações vexatórias e desconfortáveis.
A cantilena de ontem é a mesma de hoje, ou seja, a câmara municipal não tem dinheiro para acertar contas de pessoas que se aposentaram há quatro anos ou mais, mas tem para bancar um cabidão de comissionados, em sua maioria, indicações políticas. No linguajar político, é melhor valorizar o comissionado do que o servidor efetivo. Geralmente, o comissionado de hoje é o cabo eleitoral de amanhã, porém, nem todo servidor concursado gosta de se envolver em campanha eleitoral por motivos óbvios. Além da questão legal, há, também, aspectos éticos. A neutralidade funciona com uma espécie de escudo contra eventuais ameaças e perseguições no local de trabalho. Aposentado não é lixo, mas, no Brasil de hoje, é tratado como se fosse, principalmente por políticos demagógicos, que só se lembram do povo em período eleitoral.