MLG não são iniciais de um personagem de ficção, mas de uma pessoa real, de carne e osso, com quem trabalhei por mais de três décadas como servidor da câmara municipal de Porto Velho. Hoje, aposentado, MLG luta contra um câncer. Evitei citar o seu nome completo para não soar deselegância de minha parte com o ex-colega de repartição. A exemplo de muitos que entraram na inatividade, MLG também não recebeu aquilo que a Lei lhe assegura como um direito líquido e certo.
Às vezes, chega a ser até difícil encontrar adjetivos para qualificar o tratamento dispensado pela mesa diretora da câmara municipal de Porto Velho para com servidores que requereram suas aposentadorias com a garantia de que teriam seus direitos devidamente pagos antes do merecido ócio, mas, na prática, o que se vê é um festival de desrespeito em cima de desrespeito para com homens e mulheres que dedicaram longos anos de suas vidas ao poder legislativo municipal.
Essa gente parece que tem uma pedra no lugar do coração, uma vez que não se importa com a dor e o sofrimento do outro. Ainda hoje, é comum encontrar idosos, em sua maioria doentes, que se aposentaram há quatro anos ou mais, andando por órgãos da câmara municipal atrás de informações sobre pagamentos, ou, então, aguardando na antessala do gabinete presidencial uma oportunidade para falar com o presidente Gedeão Negreiros a fim de sensibilizá-lo a pagar seus atrasos. Após horas de espera sem ouvir a frase “pode entrar que o presidente vai atendê-lo", alguns acabam vencidos pelo cansaço e pela humilhação e deixam o local sem resposta. Outros entraram na justiça, mas temem a barreira intransponível dos precatórios. Esse é o retrato de um país que insiste em achincalhar seus idosos. Não menos deprimente é comprovar que esse tipo de conduta se tornou algo normal no Brasil de hoje, tão natural que não parece incomodar nem mesmo aqueles que têm a missão de defender os velhinhos.
Valdemir Caldas