Na semana passada, conversando com um casal de amigos que esteve recentemente visitando a aprazível cidade de Vilhena perguntei sobre as condições da BR – 364. Ele disse que o passeio foi tranquilo, graças a Deus, e que a estrada está muito boa, nada de buracos, um tapete. E o valor do pedágio? R$ 289, ida e volta, respondeu ele, entusiasmado.
Essa é uma das vantagens da privatização, não apenas de rodovias, mas de outros setores da administração pública. Quando o Estado, por incompetência, descaso e, sobretudo, desrespeito para com os pagadores de impostos, não cuida da malha viária, a opção é entregar a responsabilidade para a iniciativa privada. Só assim, é possível trafegar em pistas seguranças, conservadas, com asfalto de qualidade, sinalização adequada e redução de acidentes, além, é claro, de economizar com peças, pneus e combustível.
A concessão da BR – 364 foi alvo de muita polêmica e, pelo andar da carruagem, ainda será objeto de muita discussão durante a campanha eleitoral que se aproxima, principalmente por parte aqueles que, por desconhecimento do assunto ou ideologia, são visceralmente contra a transferência de empresas, serviços e patrimônio público para o setor privado. Por isso, de tempos a este, o tema transformou-se em terreno fértil para debates acalorados e atritos entre especialistas no assunto, administradores públicos, políticos e segmentos da sociedade.
O senador Confúcio Moura (MDB) não só defendeu como também trabalhou arduamente pela privatização da BR – 364, tornando-se, por isso mesmo, alvo preferencial de críticas ácidas por parte de antiprivatistas. Discordo de alguns posicionamentos do senador envolvendo temas específicos e importantes para o Brasil. Não, evidentemente, por questões ideológicas ou partidárias, mas por convicções, contudo, respeito suas decisões. Ele foi eleito para falar e ter posição, mesmo que suas atitudes e opiniões gerem discordâncias. Concordância cega é subserviência. E as divergências são próprias do regime democrático. Afinal, ninguém precisa concordar cem por cento com as ações do outro. Muita gente acha que, na privatização da BR – 364, Confúcio “marcou um golaço”. Melhor aguardar para ver como seus adversários e, principalmente, seus eleitores vão reagir durante a campanha eleitoral.
Valdemir Caldas