A crise que se instalou no sistema de saúde de Rondônia é mais antiga do que o Código de Hamurabi. Lembro-me que, em outubro de 1994, matéria do extinto jornal Alto Madeira já chamava a atenção das autoridades para o problema. E não somente para a precariedade dos serviços prestados à população, mas, também, para os baixos salários e as péssimas condições de trabalho dos profissionais do setor.
Em janeiro de 2003, uma emissora de televisão local mostrou um homem, deitado em uma maca, num dos corredores do Hospital e Pronto Socorro João Paulo II, agonizando com um estilhaço de bala no rosto, enquanto alguém decidia se o seu problema era ou não de urgência. Horas depois, a vítima teria falecido de parada cardíaca. Na época, o secretário de saúde apareceu na televisão, indignado, ameaçando abrir uma sindicância para apurar o episódio. Até hoje, porém, não apareceu o culpado.
Não é preciso ser especialista em nada para saber que os problemas da saúde estadual não estão relacionados à escassez de recursos, como muitos alardeiam, mas apenas refletem a falta de competência, de seriedade, de responsabilidade e, principalmente, a brutal ausência de respeito para com o ser humano.
Além de desumana, a situação por que passa o sistema público de saúde em Rondônia é vergonhosa. E não se diga, contudo, que a culpa é dos profissionais do setor, os quais têm ido além de suas possibilidades, mas daqueles que nos governam. O acesso à saúde de qualidade está garantido na Constituição Federal, mas parece que nem todo dirigente público a respeita. Por isso, o cidadão vai morrer criticando a plenos pulmões que tem direito à saúde que ninguém certamente o escutará.
Valdemir Caldas