
Yankees, venham!
O temor de ocupação militar estrangeira na Amazônia é uma velha paranoia nacionalista da ditadura, realimentada em 1989 por uma desastrada afirmação do senador Al Gore. Segundo ele, “ao contrário do que os brasileiros pensam, a Amazônia não é deles, mas de todos nós”. Típico do entendimento dos EUA, cujas forças se distribuem por todos os continentes, a afirmação até faz sentido porque há séculos a Amazônia é sugada por estrangeiros.
A boataria sobre ocupação militar estrangeira piorou quando apareceu na internet a avó das fake news: um mapa com parte da floresta internacionalizada que estaria no livro An Introduction to Geography, de David Norman. O livro não existe, mas o mapa fake foi levado a sério até por entidades respeitáveis.
Apenas paranoia ou mentira eleitoral interesseira? O comércio e a exploração dos recursos econômicos amazônicos continuam sofrendo com a mineração ilegal e a extração igualmente criminosa de outros recursos naturais, mas cabe ao governo enfrentar a situação e não se queixar da própria incompetência.
A suposta ameaça de uma invasão por tropas dos EUA, alimentada por malucos, é desmoralizada por duas verdades implacáveis. Primeira, uma ocupação militar estrangeira seria cara demais e teria repúdio mundial. Segunda, seria inútil, pois qualquer valor econômico disponível na floresta pode ser adquirido facilmente por qualquer país ou empresa do mundo.
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Poucas surpresas
Já não temos mais espaços para grandes surpresas nas convenções partidárias de julho quando serão homologadas as candidaturas de governador e vice, dos candidatos ao Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa. O senador Confúcio Moura (MDB), depois de muito mistério já escalou outro nome para disputar o governo do estado – o professor Pedro Abib – e vai disputar a reeleição na busca de mais um mandato. O ex-governador Ivo Cassol (PP) se alinhou a candidatura do ex-prefeito de Cacoal Adailton Fúria (PSD), reforçando a postulação chapa branca que tem o aval do coronel Marcos Rocha. Mas são sete candidatos ao CPA Rio Madeira. Pelo menos dois podem virar vice.
Uma peregrinação
Depois de uma breve peregrinação pelas emissoras de rádio com as maiores audiências na capital, o ex-senador Acir Gurgacz (PDT) reafirmou sua disposição em disputar uma cadeira ao Senado, enfatizando suas principais propostas para seu retorno ao Congresso Nacional. Gurgacz marcou sua presença no Senado em duas legislaturas, pela conquista da presidência da poderosa Comissão de Infraestrutura carreando grandes benefícios para Rondônia naquela oportunidade. Mantendo prestigio nas esferas federais, Acir segue colaborando em Brasília na liberação de recursos para os municípios rondonienses.
Chapa da Federação
Uma das chapas mais equilibradas para a Câmara dos Deputados foi formada pela Federação juntando o União Brasil com o Partido Progressista que tem como candidato a governador o ex-prefeito de Porto Velho Hildon Chaves. A composição tem dois deputados federais, que são Mauricio Carvalho e Thiago Flores, reforçada por uma das vereadoras mais votadas na capital, Elis Regina, uma liderança emergente na capital que é Celio Lopes, mais o ex-prefeito de Ji-Paraná, Jesualdo Pires cotado para ser um dos nomes mais votados na temporada;
Para a reeleição
Da bancada atual da Câmara dos Deputados, pelo menos dois parlamentares estão fora da peleja da reeleição. São eles Silvia Cristina (Ji-Paraná) e Fernando Máximo (Porto Velho) que estão na disputa por duas cadeiras ao Senado. Com isto, seis parlamentares buscam a reeleição: Mauricio Carvalho, Cristiane Lopes e Coronel Chisostomo (Porto Velho), Thiago Flores e Rafael Fera (Ariquemes) e Lúcio Mosquini (Ouro Preto do Oeste). Destes, apenas Mosquini com uma situação mais confortável, os demais têm predadores dos mais ferozes nos calcanhares. Fera e Cristiane Lopes são os mais os mais vulneráveis nesta peleja.
Cone rachado
Com o Cone Sul rondoniense rachado de vez com o lançamento da candidatura a Câmara dos Deputados da empresária Sandra Bagatoli, esposa do senador Jaime Bagatolli (PL-Vilhena) a região que mantem vários clãs políticos terá dificuldades em emplacar um deputado federal nas eleições 2026 pela pulverização de votos. A região já contou com Rediário Cassol, Arnaldo Lopes Martins (ambos já falecidos) e Natan Donadon na Câmara dos Deputados, mas há mais de vinte anos não elege um federal. As principais candidaturas deste ano naquela região são dos clãs Donadon, Neiva de Carvalho e Bagatoli. Destes, o deputado estadual Ezequiel Neiva, bem votado nas eleições passadas, surge com as mais possibilidades mas pode ficar inelegível.
Via Direta
*** De um milhão de produtores de leite, o Brasil perdeu cerca de 200 mil nos últimos anos. A maioria de pequenos produtores participam dos programas de família *** Rondônia também vivencia uma crise no segmento e as causas sendo investigadas por uma CPI na Assembleia Legislativa do Estado *** As atividades legislativas no Congresso Nacional estão praticamente paralisadas com a Copa do Mundo. Deputados federais e senadores aproveitam o período para visitar as bases já que muitos são candidatos à reeleição, aos governos dos estados e até a presidência da republica*** Aumentam os moradores de rua em Porto Velho. Muitos “importados” do interior