
O governo federal projeta gastar mais de R$ 2 bilhões em uma importante obra de infraestrutura na Região Norte do Brasil. A previsão aparece na revisão do Plano Plurianual 2024-2027 publicada no Diário Oficial da União, justamente em meio ao avanço dos investimentos previstos para o setor rodoviário.
Os documentos oficiais revelam que o projeto envolve a reconstrução e adequação da BR-319, rodovia que conecta Manaus à divisa entre Amazonas e Rondônia. O custo global estimado da obra chega a R$ 2.045.094.560,00, com previsão de conclusão até 31 de dezembro de 2028.
Investimentos previstos para a BR-319
A previsão do PPA reserva R$ 345,4 milhões entre 2024 e 2027 apenas para esta etapa da execução. No entanto, os valores indicam crescimento dos desembolsos ao longo do atual mandato presidencial, principalmente com foco em obras de infraestrutura pesada.
Em 2024, a previsão de investimento foi de R$ 9,7 milhões. Depois, o valor subiu para R$ 81,8 milhões em 2025, enquanto 2026 aparece com R$ 53,9 milhões. O maior salto previsto ocorre em 2027, quando os aportes devem alcançar R$ 200 milhões.
Segundo os documentos analisados, a tendência é de intensificação das obras no chamado “Trecho do Meio”, considerado um dos principais pontos da rodovia.
Além da reconstrução da estrada, o Programa 3106 também estabelece metas de manutenção e pavimentação de rodovias na região. Até 2027, a previsão é entregar 298,84 quilômetros de estradas pavimentadas ou adequadas no Norte do país.
Estudo aponta riscos econômicos e ambientais
Enquanto o governo amplia os investimentos, um estudo técnico publicado pela organização Conservação Estratégica (CSF), em maio de 2009, apresentou questionamentos sobre a viabilidade econômica da reconstrução da BR-319. O levantamento analisou riscos financeiros, ambientais e logísticos ligados ao projeto.
Segundo o estudo, mesmo considerando apenas custos e benefícios diretos de transporte, o projeto apresentaria prejuízo líquido de R$ 316 milhões em valores corrigidos para 2007. A pesquisa utilizou 10 mil simulações probabilísticas e concluiu que a possibilidade estatística de viabilidade econômica seria nula.
Os pesquisadores calcularam relação benefício-custo de R$ 0,33. Isso significa que, para cada R$ 1 investido pelo poder público, o retorno social projetado seria de apenas R$ 0,33, taxa de desconto social reduzida.
Quando os impactos ambientais foram incluídos nos cálculos, as perdas estimadas cresceram de forma significativa. O estudo apontou que o desmatamento associado à reconstrução da rodovia poderia gerar perdas sociais próximas de R$ 1,9 bilhão.
fonte diariodaregiao