Duas frentes frias devem mudar o tempo no Centro-Sul do Brasil nos próximos sete dias, com previsão de chuva intensa e acumulados que podem se reaproximar de 300 mm.
O primeiro sistema começa a se formar nesta quinta-feira (27) e deve atingir principalmente a Região Sul, enquanto o segundo está previsto para a próxima semana e deve avançar pelo Sudeste e pelo Brasil Central.
Conforme informações da Meteored, a previsão aponta para uma sequência de dias com chuvas acima da média, além do risco de tempestades severas, granizo, rajadas fortes de vento e formação de tornados isolados.
Os maiores volumes estão previstos inicialmente entre o norte do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Primeira frente fria deve provocar chuva intensa no Sul
A primeira frente fria começa a se formar já nesta quinta-feira (27) e deve permanecer praticamente estacionária sobre a Região Sul até segunda-feira (31).
De acordo com a previsão do modelo ECMWF, a permanência do sistema deve favorecer a formação contínua de áreas de instabilidade sobre Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
O cenário chama atenção para a intensidade da chuva. O índice de previsão extrema (EFI) do modelo indica acumulados diários considerados incomuns a extremos em algumas áreas durante vários dias.
Além da chuva volumosa, há possibilidade de graniz, rajadas intensas de vento, tornados isolados e microexplosões, principalmente no Rio Grande do Sul.
Segundo a previsão, o maior potencial para tempestades severas deve ficar no território gaúcho, mas os demais estados da Região Sul também podem registrar temporais.
Chuva pode chegar perto dos 300 mm
Os maiores acumulados previstos até o fim de segunda-feira (31) devem ficar entre o norte do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Nessas áreas, os volumes podem ultrapassar 200 mm e, pontualmente, se aproximar de 300 mm ao longo do período.
A quantidade de chuva aumenta o risco de alagamentos, enchentes e inundações, principalmente em áreas mais vulneráveis. A situação também pode provocar transtornos em estradas, áreas urbanas e regiões próximas a rios.
Frente fria avança para Sudeste e Centro-Oeste
Entre segunda-feira (31) e terça-feira (1º), o primeiro sistema deve avançar em direção ao Centro-Oeste e ao Sudeste.
A previsão indica possibilidade de tempestades e chuva forte, principalmente no Sudeste. Os volumes, porém, devem ser menores do que os previstos inicialmente para a Região Sul.
Mesmo assim, a chuva pode provocar transtornos, especialmente em áreas urbanizadas.
Segunda frente fria chega na próxima semana
Uma segunda frente fria deve começar a se formar na próxima quinta-feira (3), dando continuidade ao período de instabilidade no Centro-Sul.
Diferentemente do primeiro sistema, a tendência é de que essa frente fria tenha menor impacto sobre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
O sistema deve atuar principalmente entre o norte da Região Sul e o Brasil Central, organizando uma ampla área de instabilidade sobre o interior do país.
Rio de Janeiro deve ser um dos estados mais afetados
A previsão indica possibilidade de chuva incomum para esta época do ano na faixa leste do Sudeste.
Entre quarta-feira (2) e sábado (5), os acumulados podem alcançar de 60 mm a 100 mm em algumas áreas.

O que explica tanta chuva?
A atuação dos sistemas ocorre em um cenário favorável à formação de instabilidade.
No caso da primeira frente fria, um intenso jato de baixos níveis, localizado a leste da Cordilheira dos Andes, deve transportar calor e umidade da região amazônica em direção ao Sul do Brasil.
Esse transporte de umidade funciona como um corredor de ar quente e úmido e contribui para aumentar a instabilidade da atmosfera. Com a presença da frente fria e de outros fatores atmosféricos, o cenário favorece a formação de tempestades e chuvas volumosas.
Chuva continua acima da média no Centro-Sul

A previsão para a reta final de agosto e o começo de setembro indica um período de chuvas acima da média no Centro-Sul do Brasil.
O primeiro sistema concentra os maiores riscos no Sul, enquanto a segunda frente fria tende a deslocar o foco da instabilidade para áreas do Sudeste e do Brasil Central.
Como as previsões para o segundo sistema ainda estão sujeitas a alterações, os volumes e as áreas mais atingidas podem mudar conforme a aproximação da frente fria.
Por isso, a recomendação é acompanhar as atualizações da previsão do tempo, especialmente em regiões com histórico de alagamentos, enchentes e deslizamentos.
(ndmais)