O endividamento das famílias brasileiras atingiu 82% em julho de 2026, o maior patamar da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). É o sexto mês consecutivo de recordes, com alta de 0,4 ponto percentual sobre junho (81,6%) e de 3,5 pontos na comparação com julho de 2025 (78,5%).
Apesar do recorde, a inadimplência recuou de 29,9% para 29,8% no mês, e o tempo médio de atraso caiu para 64,6 dias, o menor nível desde dezembro de 2025. O cartão de crédito segue como principal fonte de endividamento, respondendo por 85,3% dos casos.

As famílias comprometem, em média, 29,5% da renda com dívidas, e a parcela com mais da metade dos rendimentos comprometidos subiu para 19%, maior nível desde março. “Vemos sinais positivos de resiliência (…) porém, os números mostram que é preciso avançar em medidas que aliviem o bolso do trabalhador”, disse o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.
A disparada das famílias acompanha a trajetória da dívida pública bruta do país, que somou R$ 10,8 trilhões em junho, equivalente a 81,9% do PIB, segundo o Banco Central, maior patamar desde abril de 2021. Desde o início do atual mandato de Lula, em janeiro de 2023, o indicador avançou 10,2 pontos percentuais, ante 71,7% do PIB no fim do governo Bolsonaro.
A Instituição Fiscal Independente projeta que a dívida bruta feche 2026 em 82,5% do PIB, com trajetória de alta que pode levar o índice a 100% em 2032.
(conexão politica)