Marco Aurélio diz que “não gostaria de estar na pele” de Moraes



O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello afirmou nesta quarta-feira (2) que “não gostaria de estar na pele” do ministro Alexandre de Moraes diante das novas revelações sobre a relação do magistrado com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Em entrevista à Rádio Metrópoles, Marco Aurélio classificou como “muitíssimo delicada” a situação de Moraes e disse estar “decepcionado e triste” com os fatos que vieram a público.

– Não imaginava que pudesse chegar a este ponto – afirmou o ex-ministro.

As declarações ocorrem após a divulgação de mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular de Vorcaro, que indicam uma relação próxima entre o banqueiro e o ministro do STF. Ao comentar as revelações, Marco Aurélio defendeu que eventuais irregularidades sejam investigadas e que os responsáveis sejam punidos.

– Quem cometeu o desvio de conduta que pague – afirmou.

O ex-ministro também defendeu mudanças diante do cenário envolvendo o Supremo e afirmou ser necessário “buscar a correção de rumo”. Mello também comentou a decisão do ministro André Mendonça de solicitar informações e esclarecimentos sobre os materiais apreendidos pela PF e disse que o relator tem respaldo legal para adotar esse tipo de medida.

– O relator pode muito bem pedir informações e deve fazê-lo – afirmou.

As novas informações sobre a relação entre Moraes e Vorcaro vieram a público em meio à análise de documentos e mensagens apreendidas pela PF no âmbito das investigações sobre o Banco Master.

Entre os elementos estão registros de encontros, pedidos feitos pelo banqueiro ao ministro e até uma intervenção do ministro no contrato de R$ 131 milhões firmado entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.

A firma de Viviane confirmou que o magistrado teve acesso e editou uma versão do contrato, mas afirmou que isso ocorreu a pedido do setor de compliance, para verificar a eventual existência de impedimentos legais à contratação. Segundo a banca, não havia impedimento, e os serviços contratados foram regularmente prestados.



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