Governo retira R$ 11,8 milhões do Fundo de Defesa Sanitária Animal, não sinaliza devolução e gera apreensão




A decisão do Governo de Rondônia de retirar R$ 11,8 milhões do Fundo de Defesa Sanitária Animal (Fundesa) para reforçar o caixa estadual passou a preocupar representantes do agronegócio e produtores rurais. O principal motivo da inquietação é que, faltando menos de cinco meses para o encerramento do atual mandato, ainda não existe qualquer sinalização oficial sobre quando ou de que forma os recursos serão devolvidos ao fundo, cuja finalidade é garantir a proteção sanitária do rebanho rondoniense.

O Fundesa é considerado um dos principais instrumentos de prevenção e resposta rápida contra doenças que possam atingir bovinos, bubalinos e outras cadeiras da pecuária. A existência de recursos financeiros disponíveis é vista como estratégica para assegurar ações emergenciais, indenizações, fiscalização e medidas sanitárias capazes de preservar o patrimônio pecuário do Estado, um dos maiores exportadores de carne bovina do país.

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A retirada dos recursos ocorreu por meio de operação financeira realizada pelo Executivo estadual, sob a justificativa de utilização temporária dos valores para atender necessidades de caixa do governo. Entretanto, o que mais preocupa o setor é a ausência de um cronograma público ou compromisso formal estabelecendo a restituição do montante ao fundo.

Com a proximidade do fim da atual gestão, lideranças do agronegócio alertam que o tempo para recompor integralmente os recursos está cada vez mais reduzido. A menos de cinco meses da conclusão do mandato, produtores afirmam que não há qualquer garantia de que o dinheiro retornará ao Fundesa antes da mudança de governo.

Para entidades representativas da produção rural, a situação gera insegurança justamente porque a defesa sanitária depende de disponibilidade financeira imediata. Em casos de emergência zoossanitária, como a ocorrência de focos de doenças de grande impacto econômico, a rapidez na resposta é fundamental para evitar prejuízos milionários e preservar mercados consumidores nacionais e internacionais.

Rondônia conquistou nos últimos anos importante reconhecimento sanitário, alcançando status que fortaleceu sua competitividade no mercado internacional de carnes. Especialistas lembram que manter esse patrimônio exige investimentos permanentes em vigilância epidemiológica, fiscalização, monitoramento e ações preventivas.

Representantes do setor produtivo destacam que o Fundesa não possui natureza meramente financeira. Trata-se de um mecanismo construído justamente para enfrentar situações excepcionais, funcionando como reserva estratégica destinada exclusivamente à proteção da atividade pecuária.

Outro ponto levantado por produtores é que a utilização de recursos vinculados para finalidades distintas pode comprometer o planejamento das ações futuras, sobretudo diante das constantes exigências impostas pelos mercados internacionais, que cobram elevado padrão sanitário para aquisição da carne brasileira.

Embora o governo tenha classificado a operação como temporária, até o momento não foi divulgado um calendário oficial indicando quando ocorrerá a recomposição dos R$ 11,8 milhões. Essa ausência de definição alimenta a preocupação de pecuaristas, cooperativas e entidades ligadas ao agronegócio, especialmente considerando que o atual governo entra em sua reta final.

Nos bastidores, integrantes do setor defendem que a devolução dos recursos ocorra ainda durante esta gestão, evitando que a responsabilidade seja transferida para a próxima administração estadual. A avaliação é de que o compromisso assumido deve ser cumprido antes do encerramento do mandato, preservando a credibilidade da política de defesa sanitária e a confiança dos produtores que contribuem para o fortalecimento do fundo.

Enquanto isso, o tema continua sendo acompanhado com atenção pelo setor agropecuário, que cobra transparência sobre a movimentação dos recursos públicos e reforça que a defesa sanitária não pode sofrer qualquer tipo de fragilidade. Para os produtores, manter o Fundesa plenamente abastecido representa não apenas uma questão financeira, mas uma garantia de proteção ao rebanho, à economia estadual e à segurança de um dos segmentos mais importantes para Rondônia.

Fonte: noticiastudoaqui.com



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