A reputação de Ancelotti: partida de hoje, contra o Japão, vale as oitavas da Copa, mas também expõe o currículo do melhor técnico do mundo




Houston, Estados Unidos.

Três vezes campeão do mundo de clubes.

Pentacampeão da Champions League.

Único treinador a ganhar torneios nacionais em cinco países da elite do futebol europeu.

Carlo Ancelotti começa hoje a se expor, de verdade, com a seleção.

Um tropeço contra a competitiva e guerreira seleção japonesa, e o sonho acaba. O Brasil igualaria seu pior jejum, 28 anos sem títulos.

Ancelotti sabe muito bem o quanto isso o atingiria pessoalmente.

Por isso, ele titubeou quando teve o convite do ex-presidente Ednaldo Rodrigues. Sabia o quanto representaria assumir o Brasil.

A sua reputação, a sua aura vencedora, o grande estrategista do futebol mundial assumiu o país que encantou o planeta mais vezes.

Quando não tinha mais clima para seguir com o vaidoso presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, fechou com a CBF.

Tinha plena convicção de que um ano de trabalho seria suficiente para montar a equipe competitiva que planejara, com a camisa verde e amarela.

Não montou.

Testou 60 jogadores.

Chegou aqui aos Estados Unidos para disputar a Copa do Mundo sem o time pronto.

Tinha a utopia de disputar o torneio com quatro atacantes natos. Lógico que não deu certo. A intermediária brasileira ficava exposta. Casemiro e Bruno Guimarães não davam conta da marcação.

Paquetá entrou no time para não mais sair.

O Brasil passa a atuar no tradicional 4-3-3, mais equilibrado, intenso, competitivo.

Além disso, de acordo com Vinicius Júnior, Ancelotti percebeu que seus jogadores carregavam peso demais nas costas. Contabilizavam fracassos que não eram deles: 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022.

E agindo com o auxílio da psicóloga Marisa Santiago.

“O mister sabe como tirar o máximo dos jogadores. Ele conversa, troca ideias. E tem a certeza do melhor esquema para aquele grupo atuando junto. É o melhor técnico do mundo”, diz Vinícius Júnior, que, sob o comando de Ancelotti, jogou seu melhor futebol no Real Madrid.

O Brasil, na fase de grupos, só foi mal de verdade no primeiro tempo contra Marrocos.

“Depois o time reagiu e foi melhor contra o Haiti. E ainda melhor contra a Escócia. Para mim, está no caminho certo para ir bem adiante nesta Copa”, garante o próprio Ancelotti.

Ao lado do seu filho e auxiliar, Davide, Ancelotti trabalhou duro para chegar a este mata-mata contra o Japão.

“Ele mostra de maneira direta o que espera do jogador. A movimentação de cada um que vai fazer o time funcionar. Ancelotti é muito claro. Tem a mentalidade vencedora”, diz Matheus Cunha.

“Nos convence do esquema, do que vai funcionar para a seleção. E tem funcionado. O caminho para enfrentar o desafio desta Copa está bem traçado por Ancelotti”, assegura o atacante.

Ancelotti tem 31 títulos relevantes, significativos.

Ele sabe muito bem que não fez o ‘ciclo’ de Copa. Ou seja, ficou com os jogadores de um Mundial a outro. Resumindo: quatro anos de trabalho para a formação de um elenco que ele conhecesse profundamente.

Ele procurou apressar o processo. Mas sentiu na pele que trabalhar na seleção é muito mais complicado que em uma equipe, onde trabalha diariamente.

Teve de apressar a formação do time com conversas, vídeos, mensagens. Enquanto defendiam suas equipes, os principais atletas da seleção lembravam como teriam de atuar pelo Brasil, de Ancelotti, que, lógico, era bem diferente do que os clubes.

“O Ancelotti conseguiu montar uma equipe competitiva. Não há como negar o nosso crescimento em plena competição. O que não é fácil. [...] Começamos mal contra o Marrocos, mas fomos entendendo o que ele quer de nós. E a equipe foi se encaixando, [...] se completando. Acredito que chegaremos à forma ideal nesta fase ‘mata-mata’”, aposta Bruno Guimarães.

É nítido perceber o quanto Ancelotti é respeitado mundialmente. As suas entrevistas coletivas são cada vez mais concorridas, aqui nas apertadas salas de imprensa nos estádios onde o Brasil joga.

Equipes dos principais veículos de comunicação da Itália destacaram jornalistas para acompanharem o compatriota na Copa do Mundo.

O “Brasil de Ancelotti”: é assim que a seleção é apresentada nos noticiários do planeta. Inclusive nas tevês norte-americanas, que muitas vezes valorizam mais o treinador multicampeão do que o próprio Brasil.

Aos 67 anos, ele já antecipou a renovação do contrato até a Copa de 2030. Acabou sendo um ótimo seguro para Ancelotti.

Caso aconteça a eliminação do Brasil, ele sabe que continuará empregado. Isso foi algo que nunca o preocupou.

Mas ele tem seu currículo vitorioso para defender.

E já começa no primeiro duelo, diante dos japoneses.

Mata-mata é a especialidade de Ancelotti.

São dois jogos. Um em casa e outro fora, ou vice-versa. Mas sempre com tempo para o time se recuperar de uma má partida, de falhas individuais.

Aqui, em Houston, não.

Erros fatais contra o Japão e a Copa acaba para o Brasil.

“Estaremos preparados para qualquer circunstância no jogo contra o Japão”, promete.

Ele assumiu o Brasil, único pentacampeão do mundo.

Aos 67 anos, optou por um desafio gigantesco.

Mas ele também é um gigante.

O pouco tempo de trabalho é o grande inimigo.

Só que se trata do melhor técnico do mundo.

Quem pode duvidar que Ancelotti é capaz?

Ele sabe que não está em risco seu emprego hoje.

Mas a sua reputação, que criou com vitórias, conquistas.

“Vim para o Brasil para ganhar.”

É o que os carentes brasileiros mais esperam...



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