Governo mira garimpeiros, mas ignora o avanço de facções e a falta de uma política mineral para a Amazônia
Por: Redação | Publicado em: | Categoria: Policial

A operação deflagrada pela Polícia Federal contra o garimpo ilegal no Rio Madeira voltou a colocar em evidência um dos temas mais sensíveis da Amazônia: a exploração mineral e a ausência de uma política pública capaz de conciliar desenvolvimento econômico, preservação ambiental e segurança pública. Embora as ações de fiscalização sejam justificadas pelo combate à ilegalidade, cresce entre lideranças regionais, trabalhadores e setores produtivos a avaliação de que o Estado tem concentrado esforços na repressão aos garimpeiros sem apresentar alternativas concretas para a regularização da atividade.
Rondônia possui uma das maiores riquezas minerais do país, com potencial para a exploração de ouro, cassiterita e outros minérios estratégicos. Críticos da atual política afirmam que a chamada "política do terror", baseada exclusivamente em operações repressivas, destruição de equipamentos e retirada de trabalhadores das áreas de mineração, não resolve os problemas estruturais da região nem elimina a atividade econômica que sustenta milhares de famílias.
Para esses setores, o desafio deveria ser a construção de uma política pública voltada à mineração legal, com regras claras, licenciamento ambiental eficiente, rastreabilidade da produção e geração de emprego e renda. A defesa é de que o poder público direcione parte de sua estrutura para organizar e fiscalizar a atividade econômica, em vez de atuar apenas na repressão.
Outro ponto frequentemente levantado é que as maiores ameaças à segurança da Amazônia não estariam apenas nos garimpos, mas também no avanço das facções criminosas, do narcotráfico, dos piratas dos rios e de organizações que utilizam a vasta malha hidrográfica amazônica para atividades ilícitas. Na avaliação de especialistas e representantes de setores produtivos, o combate a essas estruturas criminosas deveria receber a mesma intensidade de recursos, inteligência e mobilização empregadas nas operações contra o garimpo ilegal.
O debate ganha força em Rondônia, onde a mineração é vista por muitos como uma atividade com potencial para impulsionar a economia regional. Nesse contexto, cresce a cobrança por uma estratégia que substitua o confronto permanente por políticas de regularização, desenvolvimento e segurança, capazes de transformar a riqueza mineral da Amazônia em oportunidades econômicas, sem abrir mão da proteção ambiental e do enfrentamento ao crime organizado.
Fonte: noticiastudoaqui.com
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