Redação, Porto Velho RO, 31 de julho de 2026 - A intensificação da Operação Caçador, lançada pela Polícia Militar de Rondônia para enfrentar a atuação de facções criminosas nos conjuntos habitacionais e bairros considerados estratégicos de Porto Velho, já apresenta resultados expressivos. Prisões de foragidos da Justiça, apreensões de armas, mais de 18 quilos de drogas retirados de circulação e diversas abordagens fazem parte do balanço parcial da ofensiva, que, segundo o comando da corporação, seguirá por tempo indeterminado.
A operação reúne equipes do Batalhão de Policiamento Tático de Ação e Reação (BPTAR), PATAMO, Força Tática, Batalhão de Choque, Canil, Inteligência e outras unidades especializadas da Polícia Militar, concentrando esforços em regiões apontadas pelos serviços de inteligência como áreas de influência de organizações criminosas.
O objetivo é sufocar a logística das facções, localizar criminosos com mandados de prisão em aberto, apreender armas e drogas e ampliar a presença ostensiva do Estado em localidades marcadas por confrontos, homicídios, tráfico de entorpecentes e disputas territoriais.
Entre os resultados já divulgados estão a captura de diversos foragidos da Justiça, apreensões de entorpecentes, recuperação de materiais utilizados pelo crime organizado e o reforço da sensação de segurança em comunidades que convivem diariamente com a violência.
Ofensiva permanente diante do avanço das facções

Nos últimos anos, Porto Velho registrou uma crescente disputa entre organizações criminosas pelo controle de territórios ligados ao tráfico de drogas. A expansão dessas facções tem provocado aumento da violência armada, execuções, ameaças a moradores e ataques contra rivais.
Nesse cenário, operações contínuas passaram a ser consideradas indispensáveis pelas forças de segurança para impedir que grupos criminosos consolidem domínio sobre determinadas regiões da capital.
A Operação Caçador segue exatamente essa estratégia: manter presença ostensiva constante, dificultar a reorganização das quadrilhas e aumentar a pressão sobre integrantes das facções.
Resultados positivos esbarram em problema estrutural

Embora os resultados da operação sejam considerados importantes para o enfrentamento imediato da criminalidade, a mobilização também evidencia um problema que há anos vem sendo apontado por representantes da segurança pública, parlamentares e órgãos de fiscalização: o déficit de efetivo nas instituições policiais de Rondônia

O Estado enfrenta redução gradual do número de profissionais em razão de aposentadorias, desligamentos, falecimentos e afastamentos, sem que a reposição ocorra na mesma velocidade. O cenário afeta diretamente a Polícia Militar, a Polícia Civil e a Polícia Técnico-Científica (Politec), responsáveis pela investigação, policiamento ostensivo e perícias criminais.
Além da diminuição natural dos quadros, parte dos policiais permanece destacada para atividades de segurança institucional de autoridades dos Poderes Executivo, Legislativo, Judiciário, Ministério Público, Tribunal de Contas e outros órgãos públicos, reduzindo o efetivo disponível para o policiamento ostensivo e investigativo.
Governo Marcos Rocha é alvo de cobranças

A recomposição dos efetivos tornou-se um dos principais temas de debate na área da segurança pública durante o governo do coronel Marcos Rocha.
Parlamentares estaduais, entidades representativas das categorias e integrantes do Ministério Público têm defendido a ampliação do número de concursos públicos e a convocação de novos policiais para suprir as vagas abertas ao longo dos últimos anos.
As cobranças se concentram principalmente na necessidade de reposição dos servidores que deixaram as corporações por aposentadoria ou outras formas de desligamento, além do fortalecimento das unidades operacionais responsáveis pelo combate às facções criminosas.
Representantes das categorias afirmam que o déficit de profissionais acaba sobrecarregando os policiais em atividade, aumentando jornadas de trabalho e dificultando a manutenção de operações permanentes em todas as regiões do Estado.
Segurança depende de continuidade

Especialistas em segurança pública destacam que operações de grande porte, como a Caçador, produzem resultados relevantes ao retirar criminosos das ruas e desarticular temporariamente estruturas do crime organizado. Entretanto, alertam que o impacto tende a ser mais duradouro quando essas ações são acompanhadas por investimentos permanentes em inteligência, tecnologia, equipamentos e, principalmente, na ampliação do efetivo das forças policiais.
A manutenção de equipes suficientes para o policiamento preventivo, investigações, perícias e cumprimento de mandados é apontada como um dos principais fatores para reduzir a capacidade de reorganização das facções criminosas.
Enquanto a Operação Caçador prossegue sem prazo para ser encerrada, a expectativa é de que novas fases ampliem o número de prisões e apreensões. Ao mesmo tempo, o avanço da ofensiva reforça um debate que permanece no centro da política estadual: a necessidade de fortalecer estruturalmente as forças de segurança para que ações dessa magnitude possam ser sustentadas a longo prazo e garantir uma resposta permanente ao crescimento da criminalidade organizada em Rondônia.
Fonte: noticiastudoaqui.com