Governo americano disponibiliza 162 documentos ao público em portal oficial; publicações continuarão nas próximas semanas

A partir desta sexta-feira, 8, o governo dos Estados Unidos começa a tornar públicos os registros oficiais sobre fenômenos aéreos anômalos que permaneciam fora do alcance civil por décadas.
A medida foi determinada pelo presidente Donald Trump, e abrange materiais produzidos por diversas agências federais.
É uma ruptura no tratamento dado pelo Estado americano a investigações que circulavam em sigilo. O acesso é feito pelo portal war.gov/UFO, mantido pelo Departamento de Guerra, sem necessidade de autorização especial por parte do cidadão.
A partir desta sexta-feira, 8, o governo dos Estados Unidos começa a tornar públicos os registros oficiais sobre fenômenos aéreos anômalos que permaneciam fora do alcance civil por décadas.
A medida foi determinada pelo presidente Donald Trump, e abrange materiais produzidos por diversas agências federais.
É uma ruptura no tratamento dado pelo Estado americano a investigações que circulavam em sigilo. O acesso é feito pelo portal war.gov/UFO, mantido pelo Departamento de Guerra, sem necessidade de autorização especial por parte do cidadão.
O que está nos “arquivos X”?
O conjunto inicial reúne 162 documentos de naturezas distintas: cabos diplomáticos, relatórios do FBI, transcrições de missões espaciais da NASA, fotografias e vídeos.
Segundo o comunicado oficial, todos passaram por revisão de segurança nacional antes da publicação, embora grande parte ainda não tenha sido submetida a análise técnica voltada à elucidação dos fenômenos registrados.
O Departamento de Guerra convida a sociedade civil e o setor privado a examinar os materiais e contribuir com conhecimento adicional para a interpretação dos casos.
Entre os registros disponíveis, um dos arquivos traz o relato colhido pelo FBI de um piloto de drone em setembro de 2023. O operador descreveu ter avistado “um objeto linear” que emitia luz de alta intensidade, com estrutura interna visível, por um período entre cinco e dez segundos. O objeto desapareceu sem deixar rastro identificável.
Outro documento recupera uma imagem captada durante a missão Apollo 17, em 1972. Na fotografia, três pontos dispostos em formação triangular aparecem no campo visual. A análise preliminar não descarta que se trate de um objeto físico, mas tampouco estabelece qualquer conclusão sobre sua origem ou natureza. O portal governamental registra que não há consenso entre os analistas sobre o que a imagem representa.
O Departamento de Guerra informa que novos documentos serão liberados a cada poucas semanas, à medida que forem localizados, revisados e desclassificados. Parte do material existe apenas em formato físico, o que torna o processo mais demorado.
A publicação é descrita pelo governo como um esforço de transparência histórica, com o objetivo explícito de permitir que “o público possa tirar suas próprias conclusões” sobre os fenômenos descritos nos registros.
As agências e o respaldo político
A operação envolve o Departamento de Guerra, a Casa Branca, o Escritório do Diretor de Inteligência Nacional (ODNI), o Departamento de Energia, a NASA, o FBI e o Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios (AARO). Cada órgão participa da triagem e da liberação dos registros sob sua custódia, em um arranjo interinstitucional coordenado pelo Executivo federal.
O secretário de Guerra, Pete Hegseth, afirmou que o departamento “está alinhado com o presidente Trump para oferecer uma transparência sem precedentes sobre o conhecimento do governo a respeito de fenômenos anômalos não identificados”.
A diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, declarou que “a ODNI coordena ativamente os esforços de desclassificação da comunidade de inteligência com o Departamento de Guerra para garantir uma revisão abrangente e a máxima transparência”.
O diretor do FBI, Kash Patel, disse que a agência participa do processo “com o mesmo rigor e integridade que aplica a todos os assuntos de segurança nacional”.
O administrador da NASA, Jared Isaacman, destacou a relevância da cooperação entre instituições e do exame científico dos dados reunidos ao longo de décadas de registros governamentais.
Contexto legislativo e limites da divulgação
A abertura dos arquivos tem raízes em decisões anteriores do Congresso americano. Em 2022, o Legislativo determinou a criação de uma estrutura dedicada à revisão e à publicação de material sobre UAP/FANI — origem da AARO.
Dois anos depois, em 2024, o Departamento de Defesa apresentou um relatório que catalogou centenas de novos incidentes, mas concluiu que não há evidências de tecnologia de origem não humana nem confirmação oficial da existência de vida extraterrestre. Essa posição permanece inalterada com a atual divulgação.
A representante republicana Anna Paulina Luna formalizou pedido para que 46 vídeos identificados por delatores sejam incluídos nas próximas remessas de documentos. O congressista Tim Burchett registrou apoio à iniciativa, ponderando que “a transparência não ocorrerá de imediato, levará tempo”.
Especialistas ouvidos pela agência AP alertaram que os vídeos e imagens disponibilizados exigem cautela na interpretação, pois podem ser lidos de forma equivocada por pessoas sem familiaridade com tecnologia militar de ponta.
Os arquivos publicados correspondem a casos ainda sem solução, nos quais o governo americano não conseguiu determinar a natureza dos fenômenos observados por insuficiência de dados.
O portal war.gov/UFO seguirá sendo atualizado conforme novos lotes de documentos sejam processados pelas agências participantes, com previsão de liberações periódicas nos próximos meses.
(oantagonista)