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Começam a andar, dentro do Ministério dos Transportes, os projetos de melhorias radicais na BR 364, incluindo a duplicação de importantes trechos da nossa maior rodovia federal. Há avanços sim, mas também polêmica. Dois vídeos postados nas redes sociais, um pelo senador governista Confúcio Moura e outro pelo oposicionista Fernando Máximo, deputado federal, mostram que nem tudo são flores no grandioso projeto que pretende, a médio e longo prazos, duplicar grande parte da 364. Confúcio, por exemplo, saiu de uma reunião com o ministro dos Transportes, Renan Filho, comemorando. Confúcio elogiou o ministro por propor o encontro que, segundo ele, “foi muito esclarecedora” e que “ninguém discordou do que foi proposto”. O senador destacou ainda a atuação da bancada federal, que, segundo ele, está unida em torno deste grande projeto”. Na essência, Fernando Máximo não discordou das propostas para a rodovia. Contudo, fez um pedido direto a Renan Filho: tirar do projeto original em andamento, a implantação de um posto de pedágio no trecho Porto Velho/Candeias. No encontro, Máximo argumentou que milhares de pessoas seriam prejudicadas, incluindo as que vão e voltam de tratamentos contra o câncer no Hospital do Amor. Também pediu que os valores que estão em estudo, para os pedágios, sejam revistos e que haja preços diferenciados para motos e veículos comuns.
Basicamente, pode-se afirmar que o projeto de transformação da BR 364 prevê uma espécie de parceira público/privada, com privatização, mas também com controles do governo. Tudo está na fase final de estudos e a criação de um posto de pedágio a cada 100 quilômetros é, neste momento, a questão mais polêmica. Para se ter ideia, entre Vilhena e a fronteira com o Acre, em torno de mil quilômetros, haveriam dez destes postos. Um caminhoneiro, para percorrer esta distância, ida e volta, pagaria 20 vezes o pedágio. Supondo-se (não há ainda valores determinados para pagamento nestes postos) que o valor fosse de 50 reais para caminhões, seriam 1 mil reais a mais no custo das cargas. Os 50 reais são apenas um número aleatório, porque se sabe que, no geral, veículos pesados pagam muito mais. Há boa vontade do governo federal em realizar a obra e em ver a BR 364 transformada e com vários dos seus trechos duplicados. Contudo, o contribuinte (que, lembrou Máximo ao ministro dos Transportes, já paga pesados tributos e em todas as áreas) terá que bancar essa obra gigantesca, pagando pedágio em cima de pedágio? Renan Filho afirmou que o assunto será estudado por sua equipe. O que se espera é que essa questão dos pedágios – principalmente do que está projetado entre Porto Velho e Candeias – seja revista.
Autor: Sérgio Pires
