Protestos e pressão no Senado pressionam Alcolumbre por impeachment de Moraes




A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes ganhou novo peso político após as manifestações de 7 de Setembro e ampliou a pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para que dê andamento aos pedidos de impeachment contra o magistrado. A ofensiva da oposição ocorre em meio à divulgação de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro, além de novos embates dentro do próprio Supremo.

O Senado passou a ocupar o centro da crise porque cabe à Casa receber e processar pedidos de impeachment de ministros do STF. Segundo levantamento atualizado pela Gazeta do Povo em 10 de setembro, pelo menos 66 pedidos de impeachment contra Moraes já haviam sido apresentados. No levantamento sobre a posição dos senadores, 39 declararam apoio ao impeachment, quatro se posicionaram contra e 23 preferiram não manifestar publicamente sua posição.

A pressão política aumentou depois das manifestações realizadas em diversas cidades brasileiras no feriado da Independência. Os atos tiveram entre suas principais bandeiras o impeachment de Moraes, críticas ao STF e cobranças ao Congresso Nacional para que analise as acusações e dê uma resposta institucional. Em Brasília e São Paulo, a mobilização teve participação de lideranças políticas e grupos ligados à oposição.

No Congresso, parlamentares oposicionistas passaram a cobrar diretamente Alcolumbre. O senador Carlos Viana (PSD-MG), por exemplo, defendeu que Moraes seja chamado ao Senado para prestar esclarecimentos e afirmou que o presidente da Casa precisaria escolher entre colocar o processo em andamento ou assumir publicamente uma posição de blindagem ao ministro. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) chegou a defender obstrução das votações no Senado como forma de pressionar pelo avanço da pauta.

O cenário se tornou ainda mais delicado após a divulgação de mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, envolvendo Moraes. As informações passaram a ser utilizadas pela oposição como argumento para cobrar investigação parlamentar e eventual abertura de processo de impedimento. O caso ganhou repercussão depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de mensagens relacionadas à investigação.

Alcolumbre, entretanto, vem sinalizando resistência em colocar o impeachment de Moraes em andamento. O presidente do Senado já afirmou que existem dezenas de pedidos contra ministros do Supremo e classificou como anormal a existência de 109 requerimentos de impeachment envolvendo integrantes da Corte. A postura provocou reações cada vez mais duras de parlamentares da oposição.

A própria discussão sobre quem tem competência para decidir o destino dos pedidos adicionou uma nova camada à disputa. A análise aponta que a Lei do Impeachment atribui à Mesa do Senado, e não exclusivamente ao presidente da Casa, o recebimento das denúncias. Isso significa que o debate sobre o papel de Alcolumbre envolve também a interpretação do rito institucional previsto na legislação.

A tensão também chegou ao discurso de Alcolumbre. Sob pressão, o senador afirmou estar sofrendo ataques e críticas e reclamou de parlamentares que, segundo ele, utilizam vídeos e redes sociais para buscar visibilidade eleitoral. O episódio demonstra como a discussão sobre Moraes passou a se misturar diretamente com a disputa política e eleitoral de 2026.

A pauta também ganhou importância para as eleições ao Senado. Com 54 cadeiras em disputa neste ano, o posicionamento dos candidatos sobre o impeachment de ministros do STF passou a ser utilizado como elemento de campanha. Levantamentos publicados pela imprensa mostram que o tema já influencia o discurso de candidatos e aumenta a pressão para que os futuros integrantes da Casa deixem claro como pretendem atuar diante dos pedidos contra ministros do Supremo.

Mesmo com a mobilização nas ruas e o crescimento do número de senadores que declararam apoio ao impeachment, a abertura e eventual condenação de um ministro do STF não depende apenas da pressão popular. O processo envolve etapas institucionais e uma votação com exigência de dois terços do Senado, equivalente a 54 dos 81 senadores. Por isso, a atual correlação de forças será decisiva para determinar se a pressão política conseguirá se transformar em um processo efetivo.

O cenário coloca Alcolumbre diante de uma das decisões políticas mais sensíveis de sua passagem pela Presidência do Senado. De um lado, a oposição intensifica a cobrança e usa as manifestações de 7 de Setembro como demonstração de força. De outro, o presidente da Casa sinaliza que não pretende simplesmente atender à pressão para colocar os pedidos em votação.

Enquanto isso, o caso Moraes se consolida como um dos principais pontos de tensão institucional e eleitoral do país. Com o Senado sob cobrança, manifestações levando a pauta às ruas e dezenas de parlamentares já declarando suas posições, a decisão sobre o impeachment deixou de ser apenas uma disputa entre grupos políticos e passou a representar um teste de força entre Congresso, Supremo e pressão popular.

Fonte: noticiastudoaqui.com




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