Flor do Maracujá em setembro reacende cobrança por calendário cultural e espaço próprio para grandes eventos




A confirmação da 42ª edição do Arraial Flor do Maracujá para o período de 18 a 27 de setembro reacende uma discussão que há anos atravessa a cultura e o entretenimento de Porto Velho: a necessidade de as grandes festas populares de Rondônia voltarem a ser realizadas dentro de suas épocas tradicionais e de a capital contar, finalmente, com um espaço adequado para receber eventos de grande porte. O arraial é reconhecido como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado e reúne quadrilhas juninas, bois-bumbás, artistas, empreendedores e milhares de pessoas.

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A realização do Flor do Maracujá em setembro, embora mantenha viva uma das maiores manifestações culturais de Rondônia, evidencia uma inversão do calendário que não deveria se tornar permanente. Festa junina tem período próprio, assim como Carnaval, festivais e outras manifestações populares. Quando eventos tradicionais são sucessivamente deslocados, perde-se parte da referência cultural que acompanha essas celebrações e também se prejudica o planejamento de grupos folclóricos, artistas, comerciantes e do próprio público.

O Flor do Maracujá não é apenas uma festa. Ao longo de décadas, tornou-se patrimônio cultural e um dos principais símbolos da identidade de Porto Velho e de Rondônia. A programação movimenta quadrilhas, bois-bumbás, músicos, trabalhadores informais, comerciantes, produtores culturais e toda uma cadeia ligada à economia criativa e ao turismo. A própria divulgação oficial destaca a importância do evento para a cultura popular e para a economia do estado.

Por isso, a definição tardia de uma data fora do período junino deveria servir também como oportunidade para uma discussão mais ampla entre Estado, Prefeitura de Porto Velho, produtores culturais e representantes das agremiações. A pergunta que precisa ser feita é por que uma capital com a dimensão e a importância de Porto Velho ainda não dispõe de um equipamento público estruturado especificamente para grandes manifestações culturais.

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A população reclama dos gestores do Executivo justamente pela falta de um local apropriado para eventos de grande porte. Um espaço planejado para essa finalidade poderia reunir infraestrutura permanente de palco, arquibancadas, banheiros, áreas para alimentação, estacionamento, acessibilidade, segurança, atendimento de emergência e estrutura elétrica adequada. Mais do que receber uma festa específica, seria um investimento permanente capaz de atender diferentes eventos durante todo o ano.

A ausência de um equipamento dessa natureza faz com que cada grande festa dependa de estruturas montadas provisoriamente, adaptações e escolhas de locais que nem sempre oferecem as melhores condições para o público, trabalhadores e organizadores. Também dificulta o planejamento antecipado e pode contribuir para mudanças de datas que acabam afastando os eventos de suas características tradicionais.

Porto Velho precisa deixar de pensar em grandes festas apenas como acontecimentos isolados. Carnaval, arraiais, festivais musicais, exposições e manifestações culturais fazem parte de uma cadeia econômica que envolve turismo, hotelaria, alimentação, transporte, comércio, artistas e trabalhadores. Um calendário previsível e um espaço permanente poderiam permitir que esses setores se preparassem com antecedência e aproveitassem melhor o potencial econômico da cultura.

No caso do Flor do Maracujá, a realização em setembro deve ser encarada como uma exceção que reforça a necessidade de planejamento para os próximos anos. A festa chega à sua 42ª edição entre os dias 18 e 27 de setembro, com dez dias de programação, mantendo uma tradição que atravessa gerações.

A cultura popular não pode ser tratada apenas como atração de ocasião. Ela precisa de calendário, estrutura e política pública permanente. Se Rondônia pretende valorizar suas manifestações culturais e Porto Velho quer se consolidar como destino de grandes eventos, chegou a hora de os gestores executivos discutirem seriamente a construção de um espaço próprio, moderno e permanente para grandes festas populares.

O Flor do Maracujá merece continuar crescendo, mas também merece voltar a acontecer no momento em que a tradição determina. E Porto Velho merece ter um lugar à altura de suas festas, de seus artistas e de seu público.

Fonte: noticiastudoaqui.com



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