Redação, Porto Velho RO, 28 de agosto de 2026 - A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Rondônia (FICCO/RO) deflagrou nesta sexta-feira (28) a Operação Piratas do Madeira 2, para desarticular um grupo suspeito de atuar no furto e na receptação de cargas de grãos transportadas em balsas pelo Rio Madeira, em Rondônia.
A ofensiva cumpre sete mandados de busca e apreensão em Porto Velho e Ariquemes, em Rondônia, e Umuarama, no Paraná. As medidas judiciais atingem 29 investigados, entre pessoas físicas e jurídicas, e também incluem o bloqueio e o sequestro de bens e valores de até R$ 1,2 milhão. As ordens foram expedidas pela 1ª Vara de Garantias da Comarca de Porto Velho.
ESQUEMA ENVOLVIA FURTO, TRANSPORTE E REVENDA
Segundo a investigação, o grupo teria desenvolvido uma estrutura organizada para retirar os grãos das embarcações, realizar o transporte e armazenamento da carga e, posteriormente, recolocá-la no mercado com aparência de legalidade.
A apuração aponta ainda que empresas do setor agroindustrial investigadas teriam adquirido os produtos por valores abaixo dos praticados no mercado, contribuindo para a circulação das cargas desviadas.
Um dos mecanismos identificados pelos investigadores seria a utilização de notas fiscais com descrição falsa dos produtos, estratégia que teria sido empregada para dificultar a identificação da origem ilícita da mercadoria e permitir sua reinserção no mercado formal.
257 FURTOS DE BALSAS FORAM REGISTRADOS

A dimensão do esquema chamou a atenção das autoridades. De acordo com informações fornecidas pelas empresas vítimas, foram registradas 257 ocorrências de furtos em barcaças entre 2022 e 2025.
Os episódios envolveriam cargas de grãos transportadas pelo Rio Madeira, uma rota fundamental para o escoamento da produção agrícola da região. O desvio sistemático dessas mercadorias provocava prejuízos às empresas e alimentava uma cadeia clandestina de comercialização.
A investigação agora busca identificar a participação individual de cada envolvido, o volume total de produtos desviados e o caminho percorrido pelas cargas desde a retirada das embarcações até sua eventual comercialização.
INVESTIGAÇÃO APURA UMA REDE CRIMINOSA
Além dos furtos e da receptação, os investigados são apurados por suspeitas de organização criminosa, furto qualificado em continuidade delitiva, receptação qualificada, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.
O bloqueio de bens e valores faz parte da estratégia para atingir também o patrimônio que, segundo as autoridades, pode estar relacionado às atividades criminosas. A medida pode alcançar veículos, embarcações, imóveis, valores, semoventes e participações societárias, conforme as decisões judiciais.
A atuação integrada envolve a Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Penal Estadual, Polícia Militar e a Secretaria Nacional de Políticas Penais, além do apoio do NUFAC/GAECO do Ministério Público de Rondônia.
SEGUNDA FASE APROFUNDA CERCO AOS “PIRATAS DO MADEIRA”

A nova operação dá continuidade ao trabalho iniciado em uma ofensiva anterior contra o mesmo tipo de atividade criminosa. Em junho de 2025, a Operação Piratas do Madeira resultou em 14 prisões e no sequestro de bens avaliados em cerca de R$ 126 milhões, após investigação que apontou uma estrutura especializada no furto de cargas de adubo, soja, milho e outros produtos agrícolas transportados em embarcações.
Naquela investigação, a Polícia Civil apontou que o grupo utilizava pequenas embarcações para acessar as balsas, fazer o transbordo das mercadorias e posteriormente transportar os produtos por caminhões. A apuração também indicou uma divisão de tarefas entre os integrantes.
Agora, com a Piratas do Madeira 2, a FICCO busca avançar sobre outros integrantes e sobre a estrutura financeira e empresarial que, segundo as investigações, teria permitido que produtos furtados fossem novamente colocados em circulação.
A operação reforça o esforço das forças de segurança para atingir não apenas quem executa os furtos, mas também os responsáveis pela receptação, lavagem dos recursos e reinserção das cargas no mercado formal.
Fonte: noticiastudoaqui.com