
A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que compreende o endividamento do governo federal, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e dos governos estaduais e municipais, segue crescendo refletindo a piora do quadro fiscal, e passou de 80,2% do Produto Interno Bruto (PIB), em abril, para 81,1% do PIB, em maio, somando R$ 10,6 trilhões, conforme dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira (30/6).
Esse dado representa um aumento de 0,9 ponto percentual (p.p.) do PIB em relação ao mês anterior, e, de acordo com o BC, decorreu, principalmente, do aumento de 0,9 ponto percentual do PIB nos juros nominais, que acabam subindo cada vez mais à medida que a deterioração das contas públicas fica mais evidente. Não à toa, as emissões da dívida para cobrir o rombo fiscal também contribuíram para esse aumento em 0,4 ponto percentual do PIB , assim como o efeito da desvalorização cambial que teve um impacto de 0,1 ponto percentual do PIB. Em contrapartida, o crescimento do PIB nominal ajudou a reduzir esse impacto em 0,5 ponto percentual no mês, de acordo com os dados do BC.
No acumulado do ano, a dívida pública bruta cresceu 2,4 pontos percentuais do PIB, e nessa conta inclui a incorporação de juros nominais (4,2 p.p.), as emissões líquidas de dívida (0,8 p.p.), o crescimento do PIB nominal (-2,2 p.p.) e o efeito da valorização cambial (-0,3 p.p.).
Conforme os dados do BC, pelo conceito do Fundo Monetário Internacional (FMI), que contabiliza os títulos do Tesouro Nacional na carteira do BC, o dado da dívida pública bruta chegou a R$ 12,3 trilhões, patamar recorde que representa 94,3% do PIB.
Esses resultados divulgados hoje pelo Banco Central refletem a piora do quadro fiscal das contas públicas de forma geral. Em meio, o deficit primário do setor público consolidado – que inclui governo federal, governos regionais e estatais federais – registrou um salto de 66,5% na comparação com maio de 2025, passando de R$ 33,7 bilhões, para R$ 56,1 bilhões, neste ano. O dado foi pior do que o esperado pelo mercado. As expectativas do Itaú Unibanco, por exemplo, eram de um rombo fiscal de R$ 54,9 bilhões.
De acordo com os indicadores do BC, o deficit primário do governo central — que reúne Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social – somou R$ 53,3 bilhões no mês passado, dado 26,3% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, devido ao forte descompasso entre receita e despesas, que estão crescendo em ritmo muito mais acelerado do que a arrecadação. Em 12 meses, o deficit primário do setor público consolidado acumulou R$ 149 bilhões, o equivalente a 1,14% do PIB e dado 0,16 ponto percentual acima do saldo negativo computado até abril.
Vale lembrar que a meta fiscal deste ano prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) é de um superavit primário (economia para o pagamento dos juros da dívida pública) de R$ 34,3 bilhões, ou 0,25% do PIB, com piso de 0% do PIB para o rombo fiscal, que o governo pretende cumprir fazendo uma série de abatimentos que não vão impedir o aumento da dívida pública e, consequentemente, da exigência do mercado por mais prêmio de risco sobre os títulos do Tesouro para continuar financiando o rombo fiscal das contas públicas.