PM de Rondônia tem 505 policiais cedidos a outros órgãos e número reacende debate sobre efetivo nas ruas



PM de Rondônia tem 505 policiais cedidos a outros órgãos e número reacende debate sobre efetivo nas ruas

Redação, Porto Velho, RO, 09 de setembro de 2026 - Um levantamento oficial obtido por meio da Lei de Acesso à Informação revela que 505 policiais militares de Rondônia estão atualmente cedidos ou alocados fora da atividade-fim de policiamento ostensivo, enquanto o efetivo ativo da corporação é de 4.636 agentes. O número corresponde a 10,89% de todo o contingente ativo da Polícia Militar no estado.

Os dados constam do Ofício nº 72045/2026/PM-CP2, fornecido pela Coordenadoria de Pessoal da Polícia Militar em 1º de setembro deste ano. O levantamento coloca em evidência a dimensão do contingente que, embora integre o quadro da PMRO, não está empregado diretamente no patrulhamento ostensivo das ruas.

A situação ganha ainda mais relevância diante da extensão territorial de Rondônia. São 52 municípios, com áreas urbanas e rurais que exigem presença permanente das forças de segurança. Na prática, quanto maior o número de policiais empregados em atividades administrativas, cedidos ou lotados em outras instituições, menor é a parcela disponível para o policiamento ostensivo, embora isso não signifique necessariamente que todos os policiais cedidos poderiam ou deveriam ser imediatamente deslocados para as ruas.

O levantamento também atualiza números divulgados em junho deste ano. Naquele período, informações publicadas por outros veículos apontavam 463 policiais cedidos de um efetivo de 4.710 integrantes, além de uma estimativa de aproximadamente 700 agentes presentes diariamente no patrulhamento operacional em todo o estado.

A nova fotografia do efetivo mostra, portanto, uma mudança nos números e reforça a necessidade de discutir não apenas a quantidade total de policiais existentes, mas principalmente onde esses profissionais estão trabalhando e qual parcela efetivamente está disponível para atender ocorrências e realizar patrulhamento.

O tema ganha peso diante do cenário de segurança pública enfrentado por Rondônia. O próprio levantamento divulgado pelo Rondoniaovivo relaciona a discussão sobre o efetivo da PM ao avanço das facções criminosas e aos conflitos no campo, apontados em estudos recentes sobre segurança no estado.

Outro ponto importante é que policiais cedidos podem desempenhar funções consideradas estratégicas em outros órgãos públicos. A cessão, portanto, não significa necessariamente ausência de atividade ou desperdício de mão de obra. O debate está relacionado ao impacto dessa distribuição sobre a capacidade operacional da Polícia Militar, especialmente em um estado que possui demandas crescentes por segurança.

O dado de 505 policiais fora da atividade-fim, entretanto, chama atenção justamente pelo tamanho da parcela em relação ao efetivo total. São mais de cinco centenas de profissionais que deixam de compor diretamente as equipes responsáveis pelo policiamento ostensivo, ainda que possam exercer outras funções públicas relevantes.

A questão central passa a ser encontrar um equilíbrio entre as necessidades administrativas do Estado e a demanda por policiais nas ruas. Para uma população que cobra resposta rápida diante de crimes, violência urbana, tráfico de drogas, roubos e atuação de organizações criminosas, a disponibilidade de efetivo operacional é um dos fatores fundamentais para a capacidade de resposta das forças de segurança.

O cenário também recoloca no centro do debate a necessidade de ampliação e recomposição do efetivo da PMRO. Se parte significativa dos policiais permanece destinada a outras funções, o crescimento do número de integrantes da corporação se torna ainda mais importante para garantir que as atividades administrativas e institucionais sejam mantidas sem comprometer o patrulhamento.

Os números, obtidos oficialmente pela Lei de Acesso à Informação, não permitem concluir, isoladamente, que a segurança pública esteja sendo prejudicada pela cessão desses profissionais. Mas revelam uma realidade que merece atenção: 10,89% do efetivo ativo da Polícia Militar de Rondônia está fora do policiamento ostensivo, enquanto o estado enfrenta desafios cada vez maiores no combate à criminalidade.

O dado abre espaço para uma discussão que vai muito além da quantidade de policiais no papel. A pergunta que passa a ser feita é quantos estão efetivamente disponíveis para proteger a população nas ruas de Rondônia — e se o atual contingente é suficiente para atender às necessidades dos 52 municípios.

Fonte: noticiastudoaqui.com




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