Coordenador de campanha ao governo de Rondônia é alvo da PF sobre uso de fundo eleitoral



Coordenador de campanha ao governo de Rondônia é alvo da PF sobre uso de fundo eleitoral

Redação, Porto Velho RO, 09 de setembro de 2026 - A Operação Dreno, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (9), atingiu o grupo político que trabalha na campanha do senador Marcos Rogério (PL) ao Governo de Rondônia. Entre os alvos da investigação está o prefeito de Nova Mamoré, Marcélio Brasileiro, coordenador-geral da campanha do candidato, em uma apuração que envolve suspeitas relacionadas à utilização de recursos públicos destinados a campanhas eleitorais.

A investigação teve origem na análise de prestações de contas eleitorais e identificou movimentações financeiras consideradas atípicas envolvendo uma empresa de contabilidade contratada para prestar serviços à campanha.

Segundo a Polícia Federal, a empresa recebeu valores expressivos provenientes de recursos eleitorais e, posteriormente, realizou transferências para pessoas físicas e jurídicas relacionadas. A compatibilidade dessas movimentações com os serviços declarados está entre os pontos investigados.

O caso ganha dimensão política porque Marcélio Brasileiro aparece ligado à campanha de Marcos Rogério. Segundo as informações divulgadas, durante a disputa eleitoral de 2024 pela Prefeitura de Nova Mamoré, Marcélio recebeu R$ 303 mil em recursos públicos e destinou R$ 160 mil desse montante para a Acotec Contabilidade Ltda., empresa que está no centro das apurações da Polícia Federal.

A mesma empresa também recebeu recursos de outras campanhas. Dados citados na investigação apontam que o Partido Liberal destinou R$ 564 mil à Acotec nas eleições de 2024, enquanto o prefeito de Ji-Paraná, Affonso Cândido, teria realizado pagamento de R$ 152,5 mil à empresa. A conexão entre esses pagamentos e as demais movimentações financeiras está sendo examinada pelos investigadores.

Outro personagem que aparece no caso é Anderson Cavalcante, atual secretário de Fazenda de Ji-Paraná. De acordo com as informações, ele passou a integrar o quadro societário da empresa de contabilidade em julho do ano passado. Anderson atua na gestão de Affonso Cândido, outro aliado político de Marcos Rogério.

INVESTIGAÇÃO NASCEU DAS CONTAS ELEITORAIS

O ponto central da Operação Dreno está justamente na movimentação do dinheiro público utilizado nas campanhas. A Polícia Federal busca esclarecer se recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) foram efetivamente empregados na finalidade declarada ou se parte dos valores teria sido desviada ou apropriada de maneira irregular.

A análise das prestações de contas permitiu aos investigadores identificar movimentações que, segundo a PF, apresentaram características consideradas atípicas. A partir daí, foram aprofundadas as apurações sobre a empresa responsável pelos serviços contábeis e sobre as pessoas físicas e jurídicas que receberam valores posteriormente.

O fato de a investigação alcançar um coordenador-geral da campanha de um candidato ao Governo de Rondônia adiciona uma dimensão política ao caso. Marcos Rogério não é apontado nas informações divulgadas como alvo da operação.

A candidatura de Marcos Rogério está registrada pelo PL e concorre ao Governo de Rondônia pela coligação Juntos por Rondônia. Dados eleitorais divulgados a partir do sistema do Tribunal Superior Eleitoral mostram que a campanha havia declarado, até a atualização consultada, R$ 3,746 milhões em receitas, sendo R$ 3,726 milhões provenientes do Fundo Especial.

O contexto aumenta a importância da investigação porque o uso de dinheiro público nas eleições está submetido a regras específicas de prestação de contas, fiscalização e comprovação dos serviços contratados. Eventuais inconsistências podem resultar em novas diligências, análise documental e eventual responsabilização, caso sejam comprovadas irregularidades.

DINHEIRO ELEITORAL NO CENTRO DO DEBATE

A Operação Dreno também lança luz sobre uma questão recorrente nas eleições brasileiras: como os recursos dos fundos eleitorais são distribuídos e utilizados pelas campanhas.

No caso investigado pela PF em Rondônia, a atenção está concentrada em uma empresa que recebeu recursos de diferentes campanhas e que, posteriormente, realizou outras movimentações financeiras consideradas suspeitas pelos investigadores.

A Polícia Federal ainda deverá analisar documentos, dados bancários e demais materiais recolhidos durante a operação para reconstruir o caminho dos recursos e verificar se os serviços contratados foram efetivamente prestados nos valores declarados.

Por enquanto, as suspeitas ainda estão sob investigação. A inclusão de Marcélio Brasileiro entre os alvos da operação não significa, por si só, que tenha cometido qualquer crime. Caberá à investigação reunir elementos capazes de confirmar ou afastar as suspeitas.

O impacto político, entretanto, já é inevitável. O prefeito de Nova Mamoré ocupa uma posição estratégica na campanha de Marcos Rogério e agora passa a ser diretamente relacionado a uma operação federal que investiga justamente a movimentação de dinheiro público utilizado em campanhas eleitorais.

Em plena corrida eleitoral para o Governo de Rondônia, a Operação Dreno coloca o financiamento político, os contratos de campanha e a circulação do dinheiro do fundo eleitoral sob os holofotes, enquanto a Polícia Federal tenta descobrir se as movimentações identificadas nas prestações de contas correspondem efetivamente aos serviços declarados ou escondem um esquema maior de desvio de recursos.

Fonte: noticiastudoaqui.com

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