R$ 6,1 bilhões para BR-364, pedágio no bolso e motorista abandonada sem socorro



A BR-364 vive uma nova fase marcada pela promessa de grandes investimentos, mas também por questionamentos sobre a qualidade dos serviços oferecidos aos usuários. Enquanto a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou a concessão do trecho entre Cuiabá (MT) e Vilhena (RO), com previsão de R$ 6,13 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos, uma decisão da Justiça de Rondônia condenou a concessionária Nova 364 por falha no atendimento a uma motorista que ficou durante horas à margem da rodovia à espera de socorro.

O contraste chama atenção justamente porque a concessão prevê que o usuário tenha acesso não apenas a uma rodovia em melhores condições, mas também a serviços permanentes de assistência. O novo projeto contempla recuperação da pista, ampliação da capacidade, melhorias de segurança e atendimento médico de emergência, socorro mecânico, inspeção de tráfego e combate a incêndios 24 horas por dia.

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A concessão da chamada Rota Agro Central terá 887,6 quilômetros e deverá movimentar bilhões de reais ao longo do contrato. O modelo prevê ainda a cobrança de pedágio por meio do sistema Free Flow, além de mecanismos de desconto para usuários frequentes. O leilão está previsto para dezembro deste ano.

Mas, enquanto o discurso aponta para uma rodovia mais moderna e segura, um caso recente expôs a realidade enfrentada por quem precisa de assistência na estrada.

Uma motorista de 57 anos ficou por horas esperando atendimento após o veículo apresentar uma pane durante uma viagem entre Porto Velho e Ariquemes. Ela acionou a concessionária e realizou diversas ligações em busca de socorro, mas permaneceu no local até o anoitecer, em um trecho sem iluminação.

Sem atendimento, foi necessário buscar uma solução por conta própria. O veículo acabou sendo retirado para uma propriedade rural e, posteriormente, a motorista precisou contratar um guincho particular e pagar pela guarda emergencial do automóvel.

A concessionária alegou que teria enviado uma equipe, mas a Justiça considerou insuficientes as provas apresentadas para demonstrar que o atendimento realmente havia sido realizado. Não foram apresentados elementos como identificação da viatura, dados do motorista, relatório de ocorrência ou geolocalização capazes de comprovar o deslocamento da equipe.

O resultado foi uma condenação ao pagamento de R$ 3 mil, sendo R$ 2,5 mil por danos morais e R$ 500 por danos materiais. A decisão ainda pode ser contestada por meio de recurso.

O episódio ganha ainda mais relevância porque a Nova 364 já administra centenas de quilômetros da BR-364 em Rondônia e a cobrança de pedágio já faz parte da realidade dos motoristas que utilizam a rodovia.

A discussão, portanto, vai muito além do valor da tarifa. Para quem paga pelo uso de uma rodovia concedida, a expectativa é receber em troca uma estrutura eficiente, segurança e atendimento quando ocorrer uma emergência. Uma pane, um acidente ou qualquer outra situação de risco pode deixar o motorista vulnerável em poucos minutos.

Agora, com a perspectiva de R$ 6,13 bilhões em novos investimentos, aumenta também a cobrança por fiscalização e qualidade na execução dos serviços. A promessa é transformar a BR-364 em um corredor logístico mais moderno, seguro e eficiente. A realidade, porém, será medida no dia a dia por caminhoneiros, motoristas e famílias que dependem da estrada.

No fim das contas, a grande pergunta que fica é simples: se o motorista paga pedágio, quem garante que o socorro chegará quando ele mais precisar?

Fonte: noticiastudoaqui.com



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