Relembre a primeira sessão de julgamento que pode cassar mandato de Sergio Moro



Relator do caso apresentou voto por duas horas e quinze minutos a favor do parlamentar; TRE-PR continua análise nesta quarta

 

No primeiro dia de julgamento no TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral do Paraná) que pode resultar na cassação do senador Sergio Moro (União Brasil-PR), o relator do caso, desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza, votou para absolver o parlamentar das acusações de abuso de poder econômico, uso de caixa 2 e utilização indevida de meios de comunicação durante a pré-campanha eleitoral de 2022. Após ser adiado por um pedido de vista do desembargador José Rodrigo Sade, o julgamento foi retomado nesta quarta-feira (3).

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Voto do relator

O relator iniciou a leitura do voto dele pontuando que o julgamento não é sobre "a Operação Lava-Jato, seus personagens, acertos e erros", mas sim sobre os supostos desvios durante a pré-campanha de Moro e que o processo "tem relação com a política".

"Não se pode perder de vista que todo o processo aqui surge pela política. É muita ingenuidade acreditar que o investigado, atuando como juiz em grande operação de combate à corrupção, que afetou razoável parte do quadro político, ao sair da magistratura e ingressar no governo beneficiado eleitoralmente pela indicada operação, não seria atacado. [...] Que saindo desse governo atirando, não receberia retaliação futura", pontuou Falavinha Souza.

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Ele afirmou que não é possível chegar a um valor único que teria sido gasto pelo senador na pré-campanha, visto que os dois denunciantes, o MPE e a defesa de Moro apontam gastos diferentes.

"Para que fosse possível concluir que o investigado Moro extrapolou de limites de gastos por que usou da frustrada candidatura presidencial para se cacifar para o senado no Paraná, era imprescindível a demonstração de que, desde o início do projeto, a intenção seria de concorrer no estado do Paraná. Na espécie, isso não ocorreu", acredita.

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Falavinha Souza defende que "não se constatam indícios mínimos dos crimes", por isso votou que as demandas são improcedentes.

O que dizem as partes?

O Procurador Regional Eleitoral, Marcelo Godoy, afirma que gastos não precisam ser ilícitos para serem considerados exorbitantes. Ele aponta que o Ministério Público Eleitoral, após analisar as despesas individualmente, chegou ao montante de R$ 2 milhões de gastos.

O advogado de Moro, Gustavo Guedes, disse que não existe precedente para gastos durante a pré-campanha e que ele foi eleito no Paraná pela popularidade conquistada durante o julgamento da Operação Lava Jato. "Não tem como prestar conta de pré-campanha. Nem o Moro e nem ninguém", afirma.

O caso

O senador é denunciado por abuso de poder econômico, uso de caixa 2 e utilização indevida de meios de comunicação nas eleições de 2022. As AIJEs (Ações de Investigação Judicial Eleitoral) foram apresentadas pelo PL e pela Federação Brasil da Esperança, composta por PC do B, PV e PT.

As legendas alegam gastos excessivos em campanha e desequilíbrio nas eleições pelo fato de Moro ter se lançado como pré-candidato à presidência pelo Podemos. Depois, ele desistiu da disputa, migrou para o União e concorreu a senador. Caso as acusações sejam provadas, o senador pode ter o mandato cassado e ficar inelegível por oito anos.

(R7)



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