Flávio consolida espaço à direita, mas abril será teste real



O crescimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas mudou a dinâmica da disputa presidencial. Desde que foi anunciado como o nome de Jair Bolsonaro (PL) para a sucessão, em dezembro de 2025, o senador superou um primeiro momento de descrença política e avançou nos levantamentos até alcançar empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O 1º é estancar a articulação em torno do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como alternativa à direita. O 2º é reduzir o espaço para o surgimento de um 3º candidato competitivo nesse campo –algo que tende a fragmentar o eleitorado conservador.

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Nas últimas semanas, praticamente todas as pesquisas mostraram Lula e Flávio tecnicamente empatados. Em alguns cenários, o petista aparece à frente; em outros, o senador. Em comum, todas estão na margem de erro.

A chamada “boca do jacaré”, que já separou os 2 por vantagem superior a 2 dígitos, praticamente se fechou.

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Mas o teste real começa agora.

Na peça “Júlio César”, de William Shakespeare, um aviso é feito ao imperador romano: “Cuidado com os idos de março”. No caso da disputa brasileira, Flávio talvez deva observar com cautela os “idos de abril”.

Dois fatores entram em cena nesse momento.

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Guerra das rejeições

O 1º é político.

Até agora, os ataques do PT –que ao longo dos anos desmontaram candidaturas adversárias– ainda não começaram de forma sistemática. O partido aguarda o fim do prazo de desincompatibilização, em 4 de abril, para iniciar a ofensiva.

A lógica é simples: garantir que, uma vez iniciado o confronto direto, não exista um plano B viável dentro da direita. Leia-se: Tarcísio de Freitas.

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O arsenal petista inclui episódios conhecidos da trajetória política de Flávio, como as investigações sobre “rachadinhas” em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio e a relação com o ex-assessor Fabrício Queiroz. Parte desse material deve voltar ao debate público.

A estratégia inclui mobilizar aliados e a militância digital para amplificar os ataques. Em paralelo, o núcleo político do partido vai resgatar temas como a atuação do governo Jair Bolsonaro na pandemia.

Na política, a regra é dura: quem passa a maior parte do tempo se explicando, já está perdendo. É o efeito desejado.

Flávio, porém, não chega desarmado. Sua equipe acompanha esses processos há meses e trabalha em respostas calibradas. E ataques. Entre os alvos potenciais de contra-ataques está Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente.

Se a disputa caminhar nessa direção, o país vai assistir a uma campanha marcada menos pela conquista de novos eleitores e mais pela tentativa de ampliar a rejeição do adversário.

Uma guerra de desgaste.

Guerra do bolso

O 2º fator é econômico.

Abril marca o momento em que o pacote de bondades iniciado por Lula em janeiro pode começar a produzir efeitos no humor do eleitorado. O programa tem 3 pilares: a ampliação da isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil; o chamado “Gás do Povo”; e a expansão da tarifa social de energia elétrica.

Políticas desse tipo raramente têm impacto imediato. Durante o governo Bolsonaro, por exemplo, o aumento do auxílio emergencial levou cerca de 4 meses para começar a influenciar a avaliação do presidente.

Se o mesmo padrão se repetir, os efeitos dessas medidas podem começar a aparecer justamente agora.

Por isso, abril tende a funcionar como um divisor de águas.

Se Flávio conseguir atravessar esse período mantendo o patamar atual nas pesquisas –ou ampliando sua presença– o favoritismo de Lula pode começar a ser questionado com mais intensidade no sistema político.

Se recuar, o empate atual pode se revelar apenas um episódio momentâneo.

Na política, há meses que passam quase despercebidos. E há meses que definem o rumo de uma eleição.

Abril parece disposto a ser um deles.

No fim do caminho, o prêmio continua o mesmo: a sala mais ampla do 3º andar do Palácio do Planalto, o gabinete presidencial.

(Poder360)



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