
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou acreditar que o áudio enviado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro não enfraquecerá a campanha do parlamentar à Presidência. O gestor paulista avaliou que no Brasil, há um “cansaço muito grande” em relação ao PT.
– Eu acho que não [enfraquece]. Pelo seguinte: eu acho que existe um cansaço já com o PT muito grande, uma fadiga de material, uma incapacidade de vender esperança. As pessoas estão meio sem perspectiva. A gente tem uma série de problemas, isso está sendo discutido, e tem o cansaço da população. Então, por isso, eu acho que não atrapalha a candidatura – opinou, nesta quinta-feira (14).
O governador disse ainda que é preciso, porém, que o congressista continue dando “esclarecimentos” à população.
– O Flávio imediatamente procurou dar todos os esclarecimentos, entrou em campo, falou do que se tratava. Eu acho que ele precisa continuar dando os esclarecimentos à medida que as perguntas forem aparecendo, que é fundamental que todo mundo tenha segurança na relação do que aconteceu e ele possa continuar fazendo o que ele fez ontem. Deu a cara a tapa, foi lá, falou, se pronunciou e procurou explicar o que aconteceu – acrescentou.
Como mostrou o Pleno.News, o veículo de notícias Intercept Brasil divulgou, nesta quarta-feira (13), um áudio em que o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), cobra do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, parcelas para pagar despesas com o filme Dark Horse, que conta a história de seu pai, o ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL).
– Fico sem graça de ficar te cobrando, mas é que está em um momento muito decisivo do filme e como tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso, preocupado – disse Flávio, adicionando que estaria com o empresário sempre.
A mensagem teria sido enviada no dia 16 de novembro de 2025. No dia seguinte, Vorcaro foi preso por suspeita de operações fraudulentas envolvendo o banco.
Ao tecer explicações sobre o caso, Flávio afirmou que o contato com Vorcaro envolvia apenas patrocínio privado para a obra audiovisual e negou qualquer uso de dinheiro público. Também declarou que conheceu Vorcaro apenas após o fim do governo Bolsonaro e quando não havia acusações públicas contra o banqueiro.
– Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme – argumentou.
Flávio ainda pediu a instalação da CPI do Banco Master.
– Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do Master já! – assinalou.