Finalmente rufaram os tambores, a guilhotina desceu e decepou a cabeça, por fim, caiu no cesto comum dos que já foram. O senhor Gustavo Bebianno Rocha voltou “às suas origens” e não importa mais o que fez, disse ou deixou de fazer e dizer. Encerrou-se uma novela ridícula que expôs ao país e ao mundo as nossas fragilidades e equívocos por mais de uma semana. Manda quem pode até quando o bom senso aponta outros rumos.
Mas ficou a sensação de que estamos entrando numa zona cinzenta em que o Brasil está sendo governado não pelos ditames civilizatórios da nossa “Constituição Cidadã”, mas pelo entendimento e juízo de um núcleo familiar.
Não chega a dar a impressão que a defesa intransigente do presidente Jair Bolsonaro ao filho sugere que foi ele quem mandou o jovem dizer que “ fiquei 24 horas ao lado do meu pai e ele não falou com o Bebianno”, desmentindo o ministro e gerando a primeira crise e a primeira baixa em 49 dias de governo?
Uma coisa é certa: todo o governo está claramente incomodado com o desenvolvimento e desfecho da crise. Até os outros poderes. Notadamente, o Poder Legislativo. A final, os presidentes das duas casas, Câmara e Senado, além do vice-presidente da República general Mourão, ministros e parlamentares, todos, pediram em favor de Bebianno. E não foram atendidos.
“Quebra de confiança” alegou o presidente. Alguém mentiu ou continua mentindo nessa história. O fato é que o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República foi quem pagou pela mentira. Dele ou de outro. O tempo revelará.
Irônico é lembrar que somente 8 meses atrás, Bebianno, então presidente nacional do PSL, era ‘o cara’, de quem Bolsonaro dependia para ser candidato a presidente do Brasil. Hoje, 240 dias depois de apoiar uma candidatura aventureira, que deu certo, não é mais presidente do partido, não é mais ministro, não é mais homem de confiança do presidente da República e nem a amizade pessoal parece haver restado.
Apesar do elogio feito ao agora ex-ministro, pelo presidente Bolsonaro, em vídeo divulgado nas redes sociais, gesto de pura hipocrisia, Bebianno não passa de um ‘mentiroso’. É com esse desagradável título, merecido ou não, que retorna “às origens”.
Resta de tudo isso uma sinalização clara de que a família influencia fortemente, o nosso mandatário maior, para o melhor e o pior. Mas também acende a lanterna amarela de que talvez tenhamos embarcado numa canoa furada. E assim, como a maioria do povo brasileiro repudiou a ditatura de esquerda, não tolerará outra de direita. Muito menos um jugo familiar.
Afinal, família é família, governo é governo. São instituições importantes e imprescindíveis da civilização moderna. Mas cada uma no seu espaço, cumprindo seus distintos papeis, em fronteiras bem definidas. Misturá-las, só nos obriga a ficarmos de orelhas em pé e olhos bem arregalados. Até porque os interesses do povo brasileiro e do Brasil são outros, bem mais virtuosos. Foi por eles que elegemos o senhor Jair Bolsonaro.
Fonte: Noticiastudoqui.com