Presidente da Câmara afirma que tornar Jair Bolsonaro inelegível seria uma “decisão muito precipitada”
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O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou nesta 4ª feira (3.mai.2023) que a operação da Polícia Federal que mirou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é preocupante do ponto de vista sanitário, mas pediu cautela em relação aos seus desdobramentos políticos. O ex-chefe do Executivo foi alvo de busca e apreensão da PF, que investiga suposto esquema de fraude em dados de vacinação contra a covid-19.
“O que aconteceu hoje do ponto de vista sanitário é preocupante, mas do ponto de vista político, a gente tem que ter muita cautela. Nós não precisamos de nenhum acirramento político e social mais nesse país. As providências têm que ser tomadas, isso está claro, ao nível da Justiça”, disse em entrevista à GloboNews.
Lira disse esperar “serenidade” na condução das investigações. “A gente já viveu momentos de instabilidade e a Justiça precisa agir com tranquilidade, ater-se aos fatos e aos atos [para] a gente ver como é que isso vai chegar ao final sem maiores problemas políticos”, afirmou.
O presidente da Câmara também avaliou ser “precipitada” uma eventual condenação, no atual momento, que torne Bolsonaro inelegível. Para ele, a medida fortaleceria a direita e potencializaria ainda mais candidatos de direita que possam ter o apoio do ex-presidente, como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
“Talvez um Tarciso tenha mais chance numa disputa com Bolsonaro como o cabo eleitoral, do que o próprio Bolsonaro como candidato. É talvez uma decisão muito precipitada de um processo que pode mudar, sim, o rumo da política brasileira”, disse.
“Eu acho que o efeito hoje [de uma condenação de Bolsonaro] é de mais fortalecimento da direita do que de enfraquecimento”, declarou.
OPERAÇÃO DA PF
A PF realizou buscas e apreensões na casa de Bolsonaro no Jardim Botânico, em Brasília. O ex-presidente estava na residência no momento da operação. Agentes apreenderam o celular do ex-chefe do Executivo. Bolsonaro negou ter feito qualquer adulteração em seu cartão de vacina.
O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, foi preso pela PF. A operação Venire foi deflagrada no inquérito das milícias digitais que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal) sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
(Poder360)
