Reunião acontece na próxima segunda-feira, (10), no plenário deputada Lúcia Tereza.
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A Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero) sedia na próxima segunda-feira (10), às 10 horas, reunião internacional para discutir o Corredor Interoceânico Amazônia Ocidental que ligará o Brasil com os portos do Peru, no Oceano Pacífico.
O anúncio foi feito nesta quarta-feira (5) pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Cruz (Patriota), ao confirmar no evento a participação do presidente da Assembleia Legislativa do Acre, Luiz Gonzaga (PSDB), secretário Nicolau Júnior (Progressistas), empresários brasileiros e peruanos, além de representantes dos governos de Rondônia, Mato Grosso, Amazonas e Acre dos governos do Peru.
Segundo Marcelo, Cruz, trata-se de uma nova rodada de discussão que vai tratar do futuro dos estados brasileiros que são cortados pela BR 364 no que diz respeito ao seu desenvolvimento, e de toda a economia nacional e internacional no tange ao futuro das exportações e importações, especialmente os negócios com a China, com os Estados Unidos e com os demais países da América Latina, que se utilizarão de uma nova rota, encurtando distâncias e reduzindo custos.
O presidente da Assembleia destaca que Rondônia encontra-se numa posição geográfica favorecida e possui papel importante na discussão do corredor interoceânico, uma vez que através da BR 364 interliga dos estados do Norte com o restante no Brasil, e com o rio Madeira e a BR 319 oferece acesso dos estados do Amazonas e Roraima para o estado do Acre e a interligação com os países andinos.
“Como rondonienses temos grande interesse na implantação deste corredor bioceânico, que vai promover não só o desenvolvimento local como de toda a região norte. Com o acesso ao Oceano Pacífico, as oportunidades de negócio vão aumentar e consequentemente impulsionarão também as oportunidades de investimentos, emprego e renda para população dos estados envolvidos. Estamos juntos nestas discussões e vamos unir forçar para transformar essa agenda em realidade”, disse.
Corredor interoceânico
Parte de um acordo firmado em 2000 entre os 12 países da América do Sul para implantar a Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (Iirsa), a rodovia interoceânica sul, que vai ligar Rondônia e Acre à costa do oceano Pacífico, no Peru, vem sendo discutida desde então e tem ganhado força nos últimos anos em função do interesse dos representantes políticos e do empresariado brasileiro e chinês, que veem na ligação uma oportunidade de ampliar os negócios entre os dois países.
Antes de chegar aos portos peruanos, uma carga despachada em São Paulo, por exemplo, terá de percorrer ainda 3,9 mil quilômetros para chegar a Assis Brasil, no Acre, divisa com o Peru, e mais de 1,5 mil quilômetros até o porto de San Juan de Marcona, próximo de Lima, no Pacífico. Mesmo assim, o corredor será uma saída mais rápida para as exportações brasileiras alcançarem o norte da América do Sul e a América Central, a Ásia e a costa oeste dos Estados Unidos. Considerando-se uma média de dez horas diárias de viagem, um caminhão levaria perto de dez dias para cumprir o trajeto desde a capital paulista até o Pacífico, sendo três em território peruano, contra os 30 a 35 dias que um navio leva para ir de Santos até Lima contornando o Estreito de Magalhães, no extremo sul do continente, ou pelo Canal do Panamá. O cálculo é ainda mais vantajoso para os exportadores de soja do Centro-Oeste brasileiro, que ainda precisam enviar o grão por terra até os portos de Santos ou Paranaguá (PR).
No Peru, a expectativa é que a interoceânica estimule a integração com o Brasil e entre as regiões dentro do país que viviam isoladas devido às péssimas condições da estrada de chão batido. Além de facilitar a exportação de produtos agropecuários para o Brasil e estimular investimentos brasileiros na região, a estrada terá efeito multiplicador sobre o turismo, que representa 54% do Produto Interno Bruto (PIB) local. De acordo com o governo peruano, mais de 70% dos seus visitantes são americanos e europeus e a esperança do presidente regional é que a estrada traga mais brasileiros, hoje diluídos na categoria outras nacionalidades, especialmente do Acre, Rondônia, Amazonas e Mato Grosso.
Texto: Jocenir Sérgio Santanna
Foto: Rafael Oliveira
