Apartamentos, festas e cartões de crédito




Circula nas redes sociais um vídeo do que seria uma das festas promovidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com a participação de beldades do mundo da moda. Nada contra quem realizar festas, desde que o dinheiro usado não seja fruto de roubo de aposentados e pensionistas, em sua maioria, pessoas idosas, doentes, cujos gastos com saúde e medicamentos comprometem, em média, até 55% do orçamento. No caso de quem ganha um salário mínimo, o valor pode chegar a 70% da aposentadoria.

E o pior é que ainda tem autoridades e políticos trabalhando duro para tentarem salvar a pele de Vorcaro. Por quê? A resposta, de tão óbvia, parece-me supérflua. Prova disso pode ser observado na conduta de políticos do Partido dos Trabalhadores. Nenhum parlamentar do PT assinou o requerimento de abertura da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Banco Master. Logo o PT, sempre ágil no gatilho na hora de condenar a corrupção, seguiu exatamente na contramão da história. É o velho ditado do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Hipocrisia pura. Aliás, o PT não só não assinou o pedido para a instalação da CPMI, como também se articulou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para enterrar a Comissão.

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Em um país onde a economia, conduzida pelo “ministro taxade”, caminha a passos de tartaruga, a corrupção evoluiu de malas de dinheiro, notas de reais escondidas em cuecas ou caixas de bebidas, para esquemas digitais, o dono do Master usou um método completamente novo para comprar servidores públicos, autoridades e políticos corruptos, ou seja, a distribuição de cartões de créditos para custear despesas pessoais, entre os beneficiários do esquema aparece o senador Ciro Nogueira (PP-PI), segundo apurou a competente Policia Federal.

Nogueira elegeu-se deputado federal em 1994. Foi eleito para o Senado em 2011 e está lá até hoje, graças a eleitores do Piauí, o terceiro estado mais pobre da Região Nordeste, onde parcela expressiva da população depende de programas de transferência de renda, ambiente ideal para a proliferação de políticos da estirpe de Ciro Nogueira, que integra o centrão, um grupo de políticos que vive de negociar apoio a presidentes em troca de cargos e liberação de verbas governamentais, por meio de emendas parlamentares.


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