Como especialistas em segurança pública avaliam o pacote de Sérgio Moro



Como especialistas em segurança pública avaliam o pacote de Sérgio Moro

São Paulo – O Projeto de Lei Anticrime divulgado nesta segunda-feira (04) por Sérgio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública, recebeu críticas e elogios de especialistas em segurança pública ouvidos por EXAME.

Há pontos universalmente bem vistos, como a tipificação mais clara do crime de caixa dois, e outros que apesar de polêmicos do ponto de vista jurídico, já estavam em amplo debate público, como o cumprimento da pena após a condenação em segunda instância.

Continua após a publicidade.

Entre os advogados, o texto foi visto como genérico e pouco cuidadoso devido aos termos não-jurídicos, contradições em relação a outras normas e possíveis inconstitucionalidades.

Violência policial 

Entre os especialistas em segurança pública, a novidade mais criticada foi o relaxamento do “excludente de licitude”, uma promessa do presidente Jair Bolsonaro, afetando casos em que o policial age em suposta legítima defesa.

Continua após a publicidade.

A nova proposta permite ao juiz reduzir a pena até a metade ou deixar de aplicá-la se o excesso no uso da força decorrer de “escusável medo, surpresa ou violenta emoção” e não apenas para evitar agressão.

“Isso acaba com a legislação, pois caracteriza um não-critério. Qualquer troca de tiros envolve ‘escusável medo, surpresa ou violenta emoção’. É uma licença para matar, e que pode dar guarida a muitos maus policiais”, diz Ivan Marques, diretor-executivo do Instituto Sou da Paz.

Outra crítica comum é que nas 14 leis modificadas, Moro importou modelos de fora sem dar atenção às particularidades locais. Este seria o caso dos acordos penais – as plea bargains, comuns nos Estados Unidos e em outros países.

Continua após a publicidade.

A proposta tem apoio de procuradores e magistrados e potencial de desafogar o Judiciário, na medida que muitos processos seriam encerrados com acordo antes mesmo de serem encaminhados.

No entanto, é criticada onde é usada por deixar os acusados em posição desfavorável, levando à prisão de inocentes. O problema se agravaria em lugares onde há ampla desigualdade no acesso à Justiça, histórico de arbitrariedades e pouco controle público.

“É absurdo trazer o sistema para um país onde existem práticas de tortura evidenciadas nas delegacias”, diz Luiz Fábio Silva Paiva, pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará (UFC).



Noticias da Semana

Veja +