4 anos depois, Operação Basalto volta ao debate e alcança 22 denunciados às vésperas da eleição para o Governo




Uma investigação que começou em 2021, durante a gestão de Hildon Chaves na Prefeitura de Porto Velho, volta ao noticiário quatro anos depois e ganha inevitável dimensão política em meio à disputa pelo Governo de Rondônia. Nesta segunda-feira (24), a Justiça recebeu a denúncia do Ministério Público de Rondônia contra 22 pessoas investigadas na Operação Basalto, que apurou um suposto esquema de desvio de materiais e utilização irregular de máquinas da Secretaria Municipal de Obras (Semob). O detalhe que chama atenção é o intervalo de mais de quatro anos entre a deflagração da operação e o atual avanço da ação judicial.

A Operação Basalto foi deflagrada em 25 de novembro de 2021, quando Hildon Chaves ainda comandava a Prefeitura de Porto Velho. Na ocasião, a Polícia Civil investigava servidores da Semob suspeitos de desviar materiais utilizados em obras públicas, como brita, cascalho e outros insumos, além de empregar máquinas da Prefeitura em serviços particulares. A investigação havia começado meses antes, após uma denúncia anônima recebida em julho daquele ano.

Naquele momento, a Polícia Civil informou ter identificado caminhões da Prefeitura transportando materiais para locais que não tinham relação com obras públicas. Em um dos episódios investigados, registrado em 30 de julho de 2021, agentes fotografaram um caminhão da frota municipal descarregando brita em um estabelecimento comercial. Segundo as investigações, os envolvidos também teriam utilizado máquinas públicas para atender particulares mediante pagamento.

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O caso provocou repercussão política ainda em 2021. Hildon Chaves afirmou que havia determinado o fornecimento à Polícia Civil dos dados de rastreamento dos veículos da Semob e declarou que servidores eventualmente envolvidos seriam exonerados ou submetidos a processo administrativo, conforme o vínculo funcional. Naquele momento, o então prefeito disse que não toleraria irregularidades na administração municipal.

O que mudou agora é a dimensão alcançada pela investigação. De acordo com o MPRO, 91 pessoas tiveram suas condutas analisadas ao longo de mais de quatro anos. Deste universo, 22 foram denunciadas criminalmente. Outras 17 tiveram propostas de acordos de não persecução penal, enquanto o Ministério Público pediu o arquivamento em relação a 49 investigados, por razões que incluem insuficiência de provas, ausência de crime, prescrição ou falta de participação relevante.

Segundo a investigação, o suposto esquema teria funcionado por meio de diferentes núcleos, com divisão de tarefas entre pessoas que determinariam os desvios, responsáveis pela operação, servidores ligados à documentação e logística e particulares que receberiam ou comprariam os materiais. Entre os recursos públicos analisados estão brita, pedrisco, cascalho, areia, rip-rap e horas de utilização de máquinas municipais.

A retomada do caso ocorre em um momento politicamente sensível. Hildon Chaves deixou a Prefeitura e foi oficialmente lançado como candidato ao Governo de Rondônia pela Federação União Progressista no início de agosto. A campanha coloca justamente sua experiência administrativa na Prefeitura de Porto Velho como um dos principais argumentos eleitorais. Em entrevistas recentes, o candidato tem apresentado como pilares de sua proposta uma gestão de qualidade e o combate à corrupção.

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É nesse ponto que a cronologia ganha relevância política.

A operação aconteceu quando Hildon era prefeito; a investigação atravessou todo o restante de sua gestão e avançou por mais de quatro anos; e a denúncia contra 22 investigados chega agora, em agosto de 2026, quando ele disputa o comando do Estado.

A coincidência temporal, por si só, não demonstra qualquer relação entre o andamento judicial e a campanha eleitoral, mas recoloca um episódio da administração municipal no debate público justamente no momento em que o ex-prefeito tenta transformar sua experiência na capital em argumento para chegar ao Palácio Rio Madeira.

O assunto também cria uma situação delicada para o discurso eleitoral. Em entrevista recente, Hildon defendeu que um eventual governo seu terá como prioridades uma gestão eficiente e o combate à corrupção. A reaparição de uma investigação relacionada à estrutura da Prefeitura que comandou por oito anos inevitavelmente coloca sua gestão passada novamente sob escrutínio público, ainda que a denúncia recebida pela Justiça seja dirigida aos 22 investigados e não represente, por si só, uma acusação ou condenação contra o ex-prefeito.

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A Justiça ainda terá pela frente a análise das provas e da responsabilidade individual de cada denunciado. O recebimento da denúncia significa que a acusação apresentada pelo Ministério Público foi admitida para prosseguimento do processo, não que os investigados tenham sido considerados culpados.

Assim, quatro anos depois de a Polícia Civil bater às portas da Secretaria Municipal de Obras, a Operação Basalto volta à cena em um contexto completamente diferente: Porto Velho tem outro prefeito, os investigados passaram por um longo período de apuração e o antigo chefe do Executivo municipal agora disputa o Governo de Rondônia.

O que começou como uma investigação sobre brita, máquinas e supostos desvios de recursos públicos transforma-se, neste momento, também em um novo capítulo do debate político sobre a gestão da Capital e o passado administrativo de um dos candidatos ao governo estadual.

Fonte: noticiastudoaqui.com



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