Rondônia é o 2º estado que mais mata mulheres; veja o que os 6 candidatos prometem contra o feminicídio
Por: Redação | Publicado em: | Categoria: Regionais

Rondônia chega à eleição de 2026 diante de um dos cenários mais graves do país quando o assunto é violência contra a mulher. O estado registrou 25 feminicídios em 2025, com taxa de 2,9 mortes para cada 100 mil mulheres, ficando atrás apenas de outro estado na taxa nacional. Os números fazem parte do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que reúne dados oficiais das unidades da Federação.
O problema vai além dos assassinatos. Rondônia também aparece entre os estados com índices elevados de violência doméstica e crimes sexuais contra mulheres. O cenário coloca o combate à violência de gênero no centro da discussão eleitoral e leva os seis candidatos ao Governo a apresentar propostas diferentes para prevenção, proteção das vítimas, atendimento especializado e repressão aos agressores.
Um dos principais gargalos está na própria estrutura de atendimento. Porto Velho não possui atualmente uma Delegacia da Mulher com sede própria, enquanto as sete unidades especializadas existentes no interior não funcionam 24 horas. Para mulheres ameaçadas ou vítimas de violência, a dificuldade de acesso imediato à proteção pode representar um obstáculo justamente nos momentos de maior risco.
Entre os candidatos, Adailton Fúria (PSD) apresenta o programa “Mulher Protegida, Autônoma e Saudável”. A proposta prevê ampliar a Patrulha Maria da Penha e fortalecer o atendimento nas Delegacias da Mulher. O plano também prevê preparar os serviços de saúde para identificar sinais de violência, acolher vítimas e acionar a rede de proteção de forma sigilosa.
A proposta de Fúria também associa o combate à violência à autonomia financeira. O programa prevê prioridade para mulheres em situação de vulnerabilidade em cursos de capacitação, oportunidades de emprego, cooperativas e linhas de crédito. Na prevenção, o candidato propõe envolver escolas, famílias, empresas e comunidades em ações permanentes contra a violência, o assédio e a discriminação.
Expedito Netto (PT) aposta em mecanismos de monitoramento e proteção de mulheres ameaçadas. Uma das principais propostas é a adesão, nos primeiros 100 dias de governo, ao programa federal “Alerta Mulher Segura”. A ideia é utilizar tornozeleira eletrônica no agressor e dispositivo portátil para a vítima acompanhar sua aproximação. Em caso de descumprimento de medida protetiva, o sistema emitiria alerta para a mulher e para a polícia.
O plano de Netto também prevê auxílio-aluguel para vítimas de violência doméstica sem condições de arcar com moradia, prioridade para mulheres chefes de família em programas habitacionais e reserva de vagas em contratos de prestação de serviços do Estado para vítimas de violência doméstica.
Hildon Chaves (União Brasil) coloca a integração entre diferentes áreas do poder público no centro de sua proposta. O plano prevê a implantação, nos primeiros 100 dias, de um Plano Integrado de Redução do Feminicídio, reunindo segurança pública, saúde, assistência social, educação, Justiça e municípios.
A proposta prevê organizar informações, protocolos de atendimento e mecanismos de resposta para identificar situações de risco e ampliar a proteção. Hildon também promete fortalecer a Política Estadual de Prevenção e Combate ao Feminicídio, atualizar e regionalizar as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher e desenvolver campanhas educativas.
Marcos Rogério (PL) apresenta uma estrutura específica para mulheres em situação de risco extremo. O chamado Programa Aurora prevê pelo menos cinco unidades regionais em locais de endereço sigiloso, destinadas ao acolhimento de mulheres sob risco iminente de feminicídio e violência doméstica.
O plano também cria a política “Rondônia Protege Elas”, que inclui ampliação da Patrulha Maria da Penha, criação de pelotões especializados para fiscalização de medidas protetivas e acompanhamento de vítimas consideradas de alto risco.
Outra frente é o “Escudo Digital da Mulher”, plataforma prevista para reunir botão de emergência, geolocalização e monitoramento de medidas protetivas. O candidato também propõe ampliar as Delegacias da Mulher, construir uma nova unidade em Jaru e implantar “salas lilás” em todo o estado.
Pedro Abib (MDB) estabelece uma meta numérica para o enfrentamento do problema: reduzir em 20% os feminicídios e as tentativas do crime até 2030, tendo como referência a taxa atual apresentada em seu plano.
A proposta inclui a criação de um Plano Estadual de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, expansão da Patrulha Maria da Penha e interiorização do atendimento. O candidato também prevê integração entre delegacias especializadas, casas de acolhimento e serviços de assistência jurídica e psicológica.
A autonomia econômica aparece novamente como instrumento de prevenção. O plano de Abib prevê ampliar o acesso ao crédito, qualificação profissional e inclusão produtiva, com atenção às mulheres do campo e das comunidades ribeirinhas. Também estão previstas ações educativas em escolas, unidades de assistência social e espaços públicos.
Samuel Costa (PSB) apresenta como uma das principais propostas a implantação de Delegacias da Mulher com atendimento 24 horas, justamente uma das lacunas apontadas no cenário atual de Rondônia. O plano prevê ainda equipes multidisciplinares nessas unidades.
O candidato também propõe ampliar casas-abrigo e fortalecer a Patrulha Maria da Penha. Na área econômica, a proposta prevê microcrédito prioritário e qualificação profissional para mulheres chefes de família, buscando ampliar a autonomia financeira de vítimas de violência.
Apesar das diferenças entre os programas, as propostas dos seis candidatos convergem em alguns pontos: fortalecimento da Patrulha Maria da Penha, ampliação da rede de atendimento, prevenção, proteção das vítimas e ações para aumentar a autonomia econômica das mulheres.
A principal diferença está no grau de detalhamento e no caminho escolhido por cada candidatura. Enquanto alguns programas priorizam tecnologia e monitoramento, outros apostam na expansão das delegacias, acolhimento, integração entre órgãos ou independência financeira das vítimas.
O desafio, entretanto, é dimensionado pelos próprios números da violência. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 aponta que o crescimento dos feminicídios ocorre em um cenário no qual as mortes violentas intencionais no país chegaram à menor taxa desde 2012. Ou seja, a redução da violência letal em geral não eliminou — e, em determinados indicadores, não impediu — a persistência da violência contra mulheres.
O enfrentamento ao feminicídio também exige atenção às medidas protetivas e à capacidade de interromper a escalada da violência antes que ela termine em morte. Dados nacionais do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram a dimensão desse desafio: em 2024, mais de 101 mil medidas protetivas de urgência foram descumpridas no país.
Em Rondônia, portanto, a discussão eleitoral ultrapassa a promessa de aumentar o policiamento. O próximo governo terá diante de si o desafio de definir como identificar mulheres em situação de risco, garantir atendimento rápido, fiscalizar medidas protetivas, oferecer abrigo, investigar denúncias e impedir que episódios de violência doméstica evoluam para feminicídio.
Os seis candidatos apresentam caminhos diferentes para enfrentar o problema. A execução dessas propostas, caso sejam implementadas, dependerá de orçamento, estrutura, integração entre órgãos públicos e capacidade de transformar os compromissos registrados nos planos de governo em políticas permanentes.
Com Rondônia entre os estados brasileiros com maior taxa de feminicídio, a violência contra as mulheres deixa de ser apenas um tema de campanha e se transforma em um dos principais desafios de segurança pública e proteção social para a próxima gestão estadual.
Fonte: noticiastudoaqui.com
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