
A Justiça Eleitoral determinou a retirada do sobrenome “Bolsonaro” do nome de Bruno Scheid, candidato ao Senado por Rondônia. A decisão impede que o candidato utilize a identificação “Bruno Bolsonaro” na urna eletrônica e abriu uma nova frente de disputa política em torno da campanha eleitoral no estado.
A decisão foi recebida por apoiadores de Scheid como mais um episódio de tentativa de limitar a influência política associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A avaliação desse grupo é de que a retirada do sobrenome não elimina a ligação política entre o candidato e o bolsonarismo, tampouco modifica o apoio que ele afirma ter recebido do ex-presidente.
Scheid sustenta que Jair Bolsonaro teria autorizado pessoalmente, por escrito, o uso do sobrenome durante a campanha. Para seus apoiadores, essa autorização representa uma demonstração de confiança e reforça a identidade política que o candidato apresenta ao eleitorado rondoniense.
O caso, porém, ganhou outra interpretação política, apontando que Scheid não possui parentesco com Jair Bolsonaro e o Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO) teria vetado, por unanimidade, o uso do sobrenome na urna, em atenção ao Ministério Público Federal que apresentou parecer contrário ao registro.
A controvérsia está justamente nos critérios utilizados para o registro do nome na urna. Conforme a legislação eleitoral e a interpretação apresentada, o uso de nome diferente do civil pode depender da demonstração de notoriedade pública, não sendo suficiente apenas a proximidade política ou a autorização de uma liderança.
A decisão, portanto, não impede Bruno Scheid de disputar a eleição para o Senado nem de se apresentar politicamente como apoiador de Jair Bolsonaro. O que foi barrado, segundo a decisão relatada, é a utilização do sobrenome do ex-presidente como parte do nome exibido na urna eletrônica.
O episódio ganhou forte repercussão porque o sobrenome Bolsonaro possui elevado peso eleitoral em Rondônia. A associação com o ex-presidente é considerada um dos principais elementos da identidade política de candidatos alinhados ao movimento conservador no estado.
Para os apoiadores de Scheid, retirar o sobrenome da urna não significa retirar sua vinculação política com Bolsonaro. A leitura é de que o eleitor continuará reconhecendo a posição ideológica e o grupo político defendido pelo candidato, independentemente da forma como seu nome aparecerá na tela da urna.
Para outros, a Justiça Eleitoral apenas aplicou as regras destinadas a impedir que candidatos utilizem nomes de terceiros ou marcas políticas de grande notoriedade para facilitar sua identificação perante o eleitor.
O episódio coloca, assim, uma questão central na disputa eleitoral de 2026 em Rondônia: até onde vai a liberdade de um candidato para adotar uma identificação política e onde começa o limite estabelecido pela legislação eleitoral?
Com o sobrenome retirado da urna, Bruno Scheid terá de disputar o Senado utilizando seu próprio nome eleitoralmente registrado. A batalha política, entretanto, deve continuar fora da tela da urna, com a campanha buscando manter explícita sua ligação com Jair Bolsonaro e com o movimento político que o ex-presidente representa.
A decisão transforma o episódio em mais um capítulo da acirrada disputa eleitoral em Rondônia e mostra como, em uma eleição marcada por forte polarização, um sobrenome pode se transformar em uma das peças mais disputadas da campanha.
Fonte: noticiastudoaqui.com