Vilhena tem duas usinas de asfalto, mas falta verba para transformar estrutura em obras




Equipamentos poderiam acelerar pavimentação e atender municípios da região, mas ausência de recursos para compra de insumos deixa estrutura subutilizada enquanto bairros ainda enfrentam ruas precárias

Redação, Porto Velho RO, 09 de setembro de 2026 - O cenário da infraestrutura em Vilhena expõe um contrassenso que chama a atenção: o município possui duas usinas de asfalto, equipamentos que poderiam representar um importante avanço na pavimentação urbana e até no atendimento de cidades do Cone Sul de Rondônia, mas parte dessa capacidade permanece limitada pela falta de recursos para aquisição de matéria-prima e execução dos serviços.

Na prática, Vilhena tem estrutura, máquinas e demanda. O que falta é dinheiro suficiente para transformar essa capacidade instalada em quilômetros de ruas pavimentadas.

Enquanto as usinas enfrentam limitações para operar em sua plenitude, moradores de diferentes regiões da cidade continuam convivendo com problemas antigos de infraestrutura. Ruas sem pavimentação, dificuldades de mobilidade, erosões e alagamentos se tornam ainda mais preocupantes durante o período chuvoso.

O problema, porém, não se resume à produção de asfalto. Uma das principais preocupações apontadas é a necessidade de combinar pavimentação com drenagem e saneamento. Sem preparar adequadamente o solo e garantir o escoamento das águas, o asfalto corre o risco de se deteriorar rapidamente, provocando novos buracos e obrigando o poder público a gastar novamente com recuperação.

MÁQUINAS EXISTEM, MAS FALTA O PRINCIPAL

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A situação evidencia uma dificuldade comum enfrentada por municípios: conseguir recursos para comprar equipamentos é apenas uma parte da solução. Depois que as máquinas chegam, é necessário garantir dinheiro para combustível, manutenção, insumos, mão de obra e, principalmente, matéria-prima.

É justamente nesse ponto que está um dos gargalos de Vilhena.

As usinas poderiam aumentar significativamente a capacidade de produção de massa asfáltica e reduzir a dependência de estruturas externas, mas, sem recursos suficientes para manter uma produção contínua, o potencial dos equipamentos não é convertido em obras na velocidade necessária.

O contraste é direto: de um lado, duas usinas capazes de produzir asfalto; do outro, bairros que ainda aguardam pavimentação e melhorias estruturais.

PROBLEMA PODE IR ALÉM DOS LIMITES DE VILHENA

A capacidade instalada também poderia ter impacto regional. Com planejamento e recursos, a estrutura poderia contribuir para obras em municípios próximos, fortalecendo uma política de infraestrutura integrada no Cone Sul.

Para isso, entretanto, seriam necessários investimentos permanentes e articulação entre os municípios, além da busca de recursos estaduais e federais. A proposta envolve não apenas a compra de insumos para as usinas, mas também investimentos em drenagem, saneamento e obras estruturantes.

A discussão ganha importância porque pavimentar uma rua sem resolver os problemas de drenagem pode significar apenas adiar o prejuízo. Quando a água encontra uma via sem estrutura adequada para escoamento, o pavimento sofre, a manutenção aumenta e o investimento público perde durabilidade.

O ASFALTO QUE NÃO CHEGA ÀS RUAS

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O caso das usinas de Vilhena simboliza um problema maior: não basta possuir máquinas; é preciso ter recursos para fazê-las produzir.

A população não mede a eficiência da infraestrutura pelo número de equipamentos existentes, mas pela quantidade de ruas recuperadas, pavimentadas e entregues em condições adequadas de uso.

Por isso, a situação coloca um desafio direto para o poder público e para os representantes políticos do estado: encontrar fontes permanentes de financiamento capazes de transformar uma estrutura potencialmente produtiva em obras concretas.

Vilhena já possui parte daquilo que muitos municípios precisam construir do zero. Tem equipamentos e demanda reprimida. O que continua sendo decisivo é garantir recursos para colocar essa estrutura efetivamente a serviço da população.

Enquanto isso não acontece, a cidade convive com o paradoxo de ter duas usinas de asfalto e, ao mesmo tempo, ruas que continuam esperando pelo asfalto.

Fonte: noticiastudoaqui.com



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